19 de janeiro de 2010

SHOWS INESQUECÍVEIS: KISS - AUTÓDROMO DE INTERLAGOS, SÃO PAULO - 17/04/1999

O KISS é um dos maiores fenômenos da história do Rock and Roll. Com seu som original, visual agressivo e apresentações repletas de efeitos pirotécnicos, o grupo conquistou uma enorme legião de fãs por todo o planeta. Em abril de 1999, a formação original da banda fez duas apresentações no Brasil: Em Porto Alegre e São Paulo. Antes disso, a banda havia se apresentado no Brasil em duas oportunidades: Em 1983 (pouco antes de tirar as máscaras) e no ano de 1994 (no festival Monsters of Rock) em uma das melhores performances de sua carreira.
 
KISS: Ace Frehley, Paul Stanley, Gene Simmons e Peter Criss

No Brasil inteiro foram programadas excursões para os dois shows. Aqui em Curitiba, uma das viagens para o show de São Paulo foi organizada pela extinta HARD TEMPLE, loja que funcionava no Omar Shopping, no centro da cidade. As reservas foram feitas com várias semanas de antecedência. Lembro que o preço da excursão incluíndo ingresso foi de R$ 96,00. Foram três ônibus que saíram de Curitiba por volta da zero hora do dia do show, chegando à capital paulista ás oito da matina.

Obviamente a primeira parada foi a GALERIA DO ROCK, o shopping dos roqueiros. Lembro que ao chegar lá comprei de cara o pôster promocional do show. Também aproveitei pra conhecer outras lojas, dentre elas a ROCK INVASION. Lembro que comprei, dentre outras coisas, uma cópia em fita cassete das demos do disco Asylum por R$ 7,00. Depois de um tempo apreciando os itens a venda e ouvindo as histórias do pessoal, fomos pegar os ingressos na loja ANIMAL RECORDS, que apresentava uma enorme vitrine repleta de memorabílias da banda.
 

À tarde, fomos para o autódromo de Interlagos. Eram centenas e mais centenas de pessoas formando uma fila que ultrapassava quarteirões. Depois que os ônibus estacionaram, procuramos um lugar perto da entrada do autódromo para ver no que dava. Afinal, naquele momento, ninguém seria louco de ir para o fim da fila.
 
Fiquei num grupo de aproximadamente sete pessoas. Imaginei que aquelas pessoas no começo da fila estavam lá há muito tempo. Tive certeza disso quando um colega nosso abriu um pacote de bolacha para fazer um lanche: Os olhos dos caras na fila brilharam de fome. O dono do pacote percebeu e perguntou honestamente: “Vocês querem uma bolacha?”. Foi a deixa para garantirmos um lugar na fila.

Na abertura dos portões, correria e uma ansiedade incontrolável! Na entrega dos ingressos, recebemos os óculos 3D e preservativos (?). Eu poderia ter ficado na grade, mas preferi ficar mais atrás, pois o palco estava alto. Depois de um tempo, a banda alemã RAMMSTEIN abriu a noite. Apesar dos excelentes efeitos pirotécnicos e do som pesado misturando metal e eletrônico, alguns atos na performance dos alemães não agradaram, especialmente quando o vocalista desfilou usando um pinto de borracha (risos). Ninguém estava preparado para aquilo. A galera simplesmente ignorou e protestou pedindo “KISS! KISS! KISS!
  
 
Depois da apresentação dos alemães, do som mecânico e com uma hora de atraso tudo escureceu e a frase mais esperada da noite foi ouvida: “ALRIGHT, SÃO PAULO... YOU WANTED THE BEST, YOU GOT THE BEST... THE HOTTEST BAND IN THE WORLD... KISS!!!”. Choque, explosão, alegria, emoção, uma mistura de sentimentos que jamais poderá ser descrita. Era a formação clássica do KISS tocando para 50 mil sortudos. Um momento único. O impacto foi tão grande que não me recordo da maioria dos momentos do show :)
   
A Psycho Circus World Tour foi a primeira da história a utilizar telões com efeitos em terceira dimensão. O telão avisava a hora de colocar e tirar os óculos 3D. Mesmo assim, muitas pessoas não tinham certeza da hora certa de utilizá-los. Alguns ficaram com os óculos o tempo todo (risos). No telão era possível ver os efeitos: Palhetas coloridas, pétalas de rosa, um coração, as mãos de ACE, as baquetas de PETER e a língua de GENE pareciam acertar os nossos olhos! Absolutamente fantástico! Se alguém reclamou dos efeitos é porque ficou de lado para o telão, ou não usou os óculos ou era cego mesmo!
   
PAUL e GENE foram os que mais se descontraíram durante a apresentação. PAUL tentou cantar Garota de Ipanema e falou sobre PELÉ e SERGIO MENDES. Na hora de Love Gun, ele deslizou fazendo pose pelo cabo aéreo (tiroleza) que o conduzia para um mini palco no meio da platéia. Delírio. GENE brincou com a platéia, citou SONIA BRAGA, cuspiu fogo em Firehouse e subiu numa plataforma acima do palco para cantar God Of Thunder. PETER foi mais discreto, cantou Beth, “levitou” com sua bateria e não deixou de fazer aquele Drum Solo manjado; ACE estava bêbado, fez um solo um tanto quanto lento, mas não errou uma nota e agradou a platéia.
     
 
Depois da apresentação é que começava a cair a ficha que aquela seria uma das maiores recordações de nossas vidas. Apenas fora do autódromo demos conta do frio absurdo (8º C) que fazia naquela madrugada em São Paulo. Na volta  para Curitiba, o motorista voava baixo. As janelas estavam todas abertas devido ao cheiro de cigarro. O vento frio cortava a pele e só conseguimos dormir devido ao cansaço.

Chegamos ao centro de Curitiba no começo da manhã do domingo. Depois de me despedir do pessoal, embarquei no ônibus biarticulado e algumas pessoas ficaram me olhando. Depois entendi o porquê: Estava com cara de ressaca, com o cabelo todo espalhado e com uma fita amarrada na testa dizendo KISS EU  VÍ!


KISS:
GENE SIMMONS - Baixo e Voz;
PAUL STANLEY - Guitarra e Voz;
ACE FREHLEY - Guitarra Solo e Voz;
PETER CRISS - Bateria e Voz.

MÚSICAS:
Shout It Out Loud
Deuce
Do You Love Me?
Firehouse
Shock Me
Let Me Go Rock 'N' Roll
Calling Dr. Love
Into The Void
Ace Frehley Solo
King Of The Night Time World
Gene Simmons Solo
God Of Thunder
Within
Peter Criss Solo
I Was Made For Loving You
Love Gun
100,000 Years
Beth
Detroit Rock City
Paul Stanley Solo
Black Diamond

18 de janeiro de 2010

A SUPREMACIA DO DISCO DE VINIL

O disco de vinil é uma mídia analógica de áudio que começou a ser comercializada em 1948. Se tornou popular com a indústria da música que surgiu na metade do século passado. Também é chamado de Long Play (LP) ou bolachão.

A forma mais conhecida do disco de vinil é no tamanho doze polegadas (12”) como Long Play (LP) ou Extended Play (EP). Também teve sua fabricação em tamanho menor, com sete polegadas (7”) para os chamados singles ou compactos e no tamanho dez polegadas (10”).

Dono absoluto do mercado musical e tendo a fita cassete como possível algoz, o disco teve seu reinado ameaçado com o advento do Compact Disc (CD) no fim da década de 80. A mídia digital prometia ser muito mais prática, com melhor qualidade de som e maior capacidade de armazenamento. Tais pontos foram suficientes para a indústria da música deixar o vinil de lado e aderir a “bolachinha”.

Assim, o mercado do CD invadiu o mundo a partir da metade da década de 90. As pessoas passaram a considerar o vinil grande, desajeitado, coisa do passado. Porém, com a popularização da mídia e da internet, a música foi praticamente banalizada, podendo ser “consumida” até mesmo sem uma mídia física. As grandes gravadoras sentiram o golpe. As vendas de albuns despencaram. As grandes lojas de CD que invadiram o mercado nos anos 90 simplesmente desapareceram. Numa tentativa de retomar as vendas a indústria ensaia uma volta em larga escala ao disco de vinil.

Mesmo na época do CD o vinil continuou sendo fabricado, porém em pequena quantidade, justamente para atender a um determinado públlico. Este, por sinal, cresce a cada ano. E não se trata apenas de nostalgia. Artistas que fazem música para adolescentes também aderiram ao vinil. Os consumidores do bolachão, predominantemente roqueiros, nunca deixaram de adquirí-los, seja pela raridade do exemplar, pela tiragem limitada ou arte diferenciada, como o Picture Disc. Em sebos, lojas especializadas, feiras periódicas ou através da internet, as vendas de vinil aumentam a cada ano. Pesquisa feita nos Estados Unidos aponta um aumento de 33% nas vendas em 2009, com relação ao ano anterior.
 
 
Afinal, porque o vinil tem esta força? Como ele consegue atingir várias gerações simultaneamente? Simples: Porque ele tem alma. Não se trata apenas de uma mídia grande. Um disco sempre estará acompanhado de uma bela capa (simples ou dupla) e um encarte, o que o torna uma obra de arte única. O ato de ouvir um disco de vinil acompanhando os detalhes da capa e informações adicionais talvez seja tão sofisticado quanto apreciar o mais caro dos vinhos.

No Brasil, o primeiro grande passo para a volta das bolachas foi dado. Em dezembro de 2009, a Polysom anunciou a conclusão de sua reforma. Trata-se da única fábrica de discos de vinil da América Latina, localizada no interior do estado do Rio de Janeiro, totalmente restruturada. Isso significa que o vinil terá condições de circular com força em nosso país, atendendo aos novos artistas e possibilitando relançamentos.

A volta triunfal do disco de vinil é apenas um sinal de que nem todas as pessoas querem praticidade ou modernidade: Muitas querem arte.
 

ÓPERA 1 ENCERRA ATIVIDADES

E o OPERA 1, excelente casa de Rock em Curitiba, fechou suas portas neste último mês de dezembro. O imóvel era muito conhecido dos roqueiros já que também abrigou o lendário OPERÁRIO, lugar preferido dos antigos roqueiros curitibanos.

Momentos finais do Ópera1 (Foto: Zurca/Fotolog)  
O local recebeu atrações nacionais e internacionais: Dezenas de grupos locais, dúzias de tributos e também artistas de grande porte, como Blaze Bayley e Paul Di’Anno (IRON MAIDEN), Jimi Jamison (SURVIVOR), Glenn Hughes (DEEP PURPLE e BLACK SABBATH), Jeff Scott Soto (JOURNEY, TALISMAN e YNGWIE MALMSTEEN) e Bruce Kulick (KISS e GRAND FUNK RAILROAD).

A casa recebeu muita gente e certamente vai deixar saudades. Para acolher os órfãos do OPERA1 a produtora Neural Machine anunciou para o dia 22 de janeiro a inauguração do BLOOD ROCK BAR, que também vai receber os eventos da produtora, até então executados no OPERA1.

Os curitibanos já estão acostumados com este tipo de mudança. Quando começam a se identificar com o local são obrigados a procurar um novo "lar". Esperamos que as constantes mudanças sejam compensadas com grandes eventos e excelentes atrações para os roqueiros de plantão.