30 de março de 2010

AS 10 TECNOLOGIAS QUE SE TORNARAM ULTRAPASSADAS

Do Blog da Revista Veja:
 
A Revista Veja publicou em seu Blog uma matéria interessantes sobre as tecnologias ultrapassadas. Algumas, sem qualquer exagero, são completamente desconhecidas do público jovem. Confira a seleção feita pela revista:
    
10. MONITOR DE TUBO 
 
 
Quem ainda não tem, já colocou na lista de futuros planos de consumo uma TV de LCD. Não só pela qualidade da imagem, mas pelo aproveitamento de espaço, já que a tecnologia usada nestes aparelhos dispensa o ultrapassado monitor de tubo, que nasceu com os primeiros televisores - e também computadores. Ele não pode ser considerado totalmente obsoleto, porque ainda é muito comum nas casas brasileiras, mas está sendo substituído com tanta rapidez, que já entrou em um estado de convalescença sem retorno. Com ele, vão-se brincadeiras como eriçar os pelos do braço com o campo magnético emitido pela tela da TV - efeito que não acontece na de cristal líquido.
 
 
9.TOCA-DISCOS
  

Numa era em que os MP 3, 5, 10 e iPods de todos os tipos estão passando para trás os até então insuperáveis CDs, o que dizer dos antigos toca-discos? Primeiro, que as gerações mais novas sequer passaram pela experiência de colocar os “bolachões” nas pouco práticas vitrolas, cuja agulha soltava um chiado característico ao tocar o LP e o ouvinte tinha de prestar atenção nas linhas divisórias para acertar a faixa da música desejada. Hoje, limitam-se a ser artigos de colecionadores e objetos de nostalgia dos saudosos anos 80 e 90 - quando um aparelho de som para ser bom mesmo deveria ter o toca-discos acoplado.
 
 
8.SECRETÁRIA ELETRÔNICA
  
 
Antes dos celulares se tornarem item obrigatório de 99% da população mundial, ficava a cargo da secretária eletrônica ou do vizinho “anotador de recados” a função de avisar que alguém havia ligado. A secretária, claro, dispensava favores e estava disponível todo o tempo - ou até encher a fita cassete. A mensagem padrão “Deixe seu recado após o sinal” ainda hoje é reproduzida nas caixas postais da maioria dos telefones móveis. Quem ainda conta com esse tipo de tecnologia nos telefones de casa usa modelos digitais, semelhantes às dos celulares. 
 
 
7.FAX
  
 
Quando só se podia contar com os correios para enviar qualquer correspondência e era necessário esperar dias e até semanas para receber um retorno, o fax surgiu como uma grande inovação. Afinal, bastava fazer uma ligação normal para que a pessoa do outro lado da linha recebesse uma cópia da sua mensagem imediatamente. Com a chegada da internet, porém, o aparelho só vem perdendo espaço, já que ligar, pedir o sinal de fax e inserir folha por folha da mensagem que deseja passar chega a ser uma eternidade se comparado à velocidade - e à segurança - proporcionada pelos e-mails.
 
 
6.WALKMAN
  
  
O walkman permitiu que o prazer de ouvir seu som preferido extrapolasse as paredes de casa. É o precursor dos “MP todos” e, quando foi apresentado ao mundo há mais de 30 anos, a sensação de ouvir sua música com fones de ouvido em qualquer lugar superava o contratempo de ter que voltar a fita cassete - no próprio aparelho ou com uma clássica caneta - caso quisesse um replay da música. O coordenador do grupo japonês que criou o aparelho apostava na venda inicial de 100.000 unidades. Não chegou nem perto na previsão: cerca de 1,5 milhão walkmans foram comercializados.
 
 
5.PAGER
  

Também chamados de bipes - em referência óbvia ao som que emitiam ao receber uma mensagem -, esses aparelhos portáteis fizeram as vezes de “secretária eletrônica ambulante” antes da chegada dos celulares. Era a maneira mais eficaz de enviar um recado urgente, que a pessoa retornava assim que encontrasse algum telefone disponível. Mas, para quem enviava a mensagem, a eficiência não era tanta, já que era preciso entrar em contato com uma central telefônica, que recebia e encaminhava o texto ao destinatário.

 
4.MÁQUINAS POLAROID
  
 
No tempo em que, para conferir como havia ficado uma foto, a única saída era levar o filme a um laboratório fotográfico e esperar a revelação - que levava, no mínimo, 24 horas -, as máquinas Polaroid chegaram com a “mágica” da instantaneidade. Afinal, além de não precisar completar um filme todo - de 12, 24 ou 36 poses - para revelar as fotos, você ainda contava com a sensação de ver o papel branco ganhar formas e cores (um pouco opacas, é verdade). A câmera maior e mais pesada nem era motivo de incômodo diante de tamanha novidade, superada pelas máquinas digitais que levaram a fabricante da Polaroid à falência em 2008.
 
 
3.VIDEOCASSETE
  
 
O videocassete levou pela primeira vez o cinema para a casa de todos. Qualquer filme estava à disposição em uma das muitas locadoras de vídeo que se proliferaram pelos bairros das grandes e pequenas cidades - onde era de bom tom devolver a fita rebobinada. Nas VHS ainda era possível gravar programas da TV para assistir e reassistir quantas vezes desse vontade. Também eram em volta do videocassete que as famílias se reuniam para assistir a algum evento gravado pelo parente que tinha uma filmadora. Hoje em dia, a missão dessas pessoas é encontrar um dos muitos profissionais que surgiram oferecendo passar essas lembranças para um - bem mais seguro - DVD.
 
 
2.DISQUETE
  
  
Pen drive? Isso não era nem uma miragem quando as pessoas começaram a sentir necessidade de armazenar as acumuladas informações em seus computadores para dar espaço a outros milhares de dados que estavam esperando sua vez para serem registrados. Só restava o disquete - um disco magnético com capacidade de míseros megabytes - o que, para a época, era uma imensidão de memória. Frágeis, tinham uma vida útil não muito longa: aproximadamente cinco anos, tempo que a fita magnética sobrevivia.
 
 
1.MÁQUINA DE ESCREVER
  
 
Ter um curso de datilografia era um diferencial e pré-requisito, nos anos 70 e 80, para se obter um bom emprego. Mas de prática a máquina de escrever não tinha nada. Além do peso, só permitia uma folha por vez e não era compassível com erros - se fosse algum documento importante, você teria que recomeçar a digitação desde o início. Não à toa foram patroladas pela tecnologia dos computadores e toda a rapidez e eficiência que surgiu a partir da era da informática. Hoje, não passam de peças de museus para marcar o cenário de determinada época.
  

29 de março de 2010

VOCALISTA DO SWEET COMPÔE TEMA PARA A COPA DO MUNDO

PETE LINCOLN, vocalista e guitarrista do grupo THE SWEET, compôs a canção "The Hope and Glory Road" como tema para a Seleção da Inglaterra na Copa do Mundo deste ano.
  

A bela música, que foi composta em parceria com BRIAN HODGSON, foi idealizada porque até o momento nenhuma canção foi anunciada como tema oficial para os ingleses que vão à Africa do Sul.
 
Segundo o vocalista, que recebeu de sua esposa a sugestão de fazer a canção, o hino serve para todos os amantes de futebol no mundo. Milhares de pessoas já deixaram suas mensagens de apoio ao projeto. Para fazer parte da campanha que visa colocar a canção como um "hino não-oficial" da Copa do Mundo, acesse o site http://www.hopeandgloryroad.com/. Também é possível comprar o download digital através dos sites Absolute Footy, iTunes, Amazon e eMusic NOW.



28 de março de 2010

HOODOO (KROKUS): O DISCO DO ANO

Ainda estamos no final de março, mas já temos um sério candidato ao melhor disco de Rock do ano de 2010. Trata-se do álbum Hoodoo, da banda KROKUS.
 
O KROKUS é uma das melhores bandas de Hard Rock de todos os tempos. O grupo surgiu na Suíca ainda nos anos 1970, mas somente na década seguinte alcançou o sucesso. Um dos pontos altos da banda foi o lançamento do disco The Blitz (1984) com as músicas “Midnite Maniac” e “Ballroom Blitz” (clássico do grupo THE SWEET). Ao final da década de oitenta, o vocalista FERNANDO VON ARB deixou a banda. Mesmo assim, o grupo continuou lançando bons discos.
 
No início dos anos 2000, VON ARB retornou ao KROKUS, que exibia então a mesma formação clássica de 1982. Aliás, se tivessem congelado os caras naquele ano e os tirassem no mês passado para gravar um disco seria a mesma coisa. Com uma pegada fantástica, ao melhor estilo KROKUS, Hoodoo, que foi lançado oficialmente no dia 26 de fevereiro deste ano, dificilmente terá algum concorrente nos próximos meses.
 
Aliás, o disco não deve nada ao Black Ice, do AC/DC. Isso se não for melhor. O destaque vai para as faixas “Drive It In”, “Rock N’ Roll Handshake”, “Shot of Love” e o cover de “Born To Be Wild” do STEPPENWOLF.
 
Segue abaixo a capa do novo disco e a relação da músicas:

 
01. Drive It In
02. Hoodoo Woman
03. Born To Be Wild
04. Rock N' Roll Handshake
05. Ride Into The Sun
06. Too Hot
07. In My Blood
08. Dirty Street
09. Keep Me Rolling
10. Shot Of Love
11. Firestar






19 de março de 2010

LASERDISCS FORAM UMA BOA IDÉIA?

O site POP publicou texto do colunista Orlando Ortiz sobre o laserdisc, mídia de vídeo que surgiu no fim da década de 70 (!). Acompanhe:

Lado a lado com as famosas "fitas" de VHS, surgiram os filmes em Laserdisc. Poucos sabem, mas a tecnologia foi demonstrada pela primeira vez em 1972, chegando finalmente às lojas da América do Norte, Europa e Asia em meados de 1978.
 

Para quem não se lembra, essa mídia ótica tinha o formato parecido com um disco de vinil, porém com a aparência física de um CD gigante.
 

A grande diferença, além do formato, era a qualidade audiovisual - muito semelhante aos DVDs, com excelente definição de imagem e sons impactantes, similares ao que debutava nos cinemas.
 

O discão de 30cm era desajeitado, fácil de riscar e ocupava muito espaço na estante, mas o Laserdisc conquistou o coração de muitos cinéfilos pelo mundo afora, principalmente no Japão. Acredite se quiser, mesmo depois do ano 2000 ainda era fácil encontrar lançamentos nesse formato, como Star Wars: Episode I (lançado no ano anterior), entre outros.
  
Mas por que será que o formato não se popularizou frente ao VHS? Nos EUA parte do problema foi a resistência da população em trocar os aparelhos. Concomitante a isso, havia também a disseminação de outros formatos (como o Video-CD e os famosos "VCD Players"), além das fitas Beta Max, que prometiam boa qualidade, mas custavam caro.
  

No Japão, os LDs perduraram graças ao fanatismo nipônico que envolve agregar funções e novidades aos aparelhos. Os LD Players mais robustos, da Sony e Pioneer, tocavam CDs de áudio com fidelidade absoluta, reproduziam LDs, DVDs e ainda por cima viraram os discos. Sim, parece algo da idade das cavernas, mas os Laserdiscs tinham "lado A e lado B", assim como muitos dos primeiros DVDs lançados, onde o filme em formato widescreen era prensado em um lado e o outro, em formato 4:3 (para as antigas TVs quadradas).
  

Hoje há uma legião de fãs que ainda apreciam os Laserdics, graças à facilidade de encontrar filmes interessantes (ou raros) com preços atraentes, principalmente através do eBay ou de lojas nos EUA, como a Amoeba Store. Clássicos como O Exterminador do Futuro 2 são encontrados por preços entre US$ 1 e US$ 12, e em muitas vezes é possível adquirir versões "especiais" com caixas comemorativas, pagando muito pouco.
  
Para os aficionados, existem versões de "Yellow Submarine" (dos Beatles) e "Moonwalker" (Michael Jackson) além de inúmeros shows com artistas dos anos 70, 80 e 90. Um prato cheio mesmo hoje, em um mundo onde TVs de alta definição conqusitam cada vez mais salas.
  

E como bom cinéfilo, acabei fazendo algo inusitado: comecei a me desfazer de todos os DVDs, exceto algumas raridades, para ter uma coleção que é um verdadeiro hiato tecnologico: o foco são os saudosos Laserdiscs e os novos e modernos discos Blu-ray.
   
Nesse limbo tecnológico, quem ficou para trás foi o DVD. Quem diria! Pode até parecer coisa de saudosista que "não quer largar o passado", mas serei honesto: o Laserdisc tem um som orgânico, gostoso, que muitos DVDs não tem. E tenho dito!
 

  

16 de março de 2010

BRINCADEIRA COM CAPAS DE DISCOS VIRA ARTE

De Revista Monet:

Quem achou que os antigos discos de vinil não serviriam mais para nada (SIC) pode ter uma surpresa. O DJ e compositor Christian Marclay, também artista visual e colecionador de discos, misturou as capas dos álbuns e criou uma arte, no mínimo, engraçada.

Entre os cantores e bandas que entraram nessa “brincadeira” de Marclay estão: Michael Jackson, Doors, Donna Summer e David Bowie. A arte ganhou fãs e já surgiram diversos “mix” de álbuns pela internet. O site The Design Inspiration divulgou as imagens. Veja abaixo:

 















Criativo, não é mesmo?

 

14 de março de 2010

AXL ROSE LEVA GARRAFADA EM SAO PAULO

O GUNS N' ROSES fez em São Paulo a sua terceira apresentação no Brasil este ano. A banda já havia se apresentado em Brasília e Belo Horizonte. Ao todo, foram programadas cinco apresentações para o nosso país.
     
Fundada em 1985, a banda se tornou um dos maiores nomes da história do Rock. O vocal inconfundível de AXL ROSE e a guitarra de SLASH, somados ao talento dos demais integrantes conquistaram uma legião de fãs por todo o mundo, sendo responsáveis por uma nova geração de roqueiros.
      
       
Sob críticas e elogios, o vocalista e único remanescente da formação original vem carregando o nome da banda desde 1993, quando o grupo se desfez. Chegou a anunciar o lançamento do disco Chinese Democracy ainda nos anos noventa, mas só conseguiu lançá-lo em 2008! AXL trouxe o GUNS para o Rock in Rio no ano de 2001, quando foi muito criticado, principalmente pela sua forma física.

A nova geração de fãs do GUNS, ao contrário da primeira, sofreu muito com as críticas dos fãs puristas (que só dão crédito à formação clássica) e da imprensa nos últimos anos. Mesmo assim, persistiu fielmente e foi recompensada com a vinda do grupo para o Brasil neste ano.
 
 
GARRAFADA
Durante a apresentação de ontem (13) em São Paulo, que teve show de abertura com o lendário vocalista SEBASTIAN BACH (Ex-SKID ROW), AXL ROSE foi atingido por uma garrafa de água no peito quando iniciava o show. Após ser atingido, ele parou o show e "intimou" o agressor olhando para a frente do palco, de onde provavelmente a descartável foi lançada. Após algumas palavras, o show continuou.
  
"Olha, olha, olha a água mineral..."

CANCELADO
O show do GUNS que seria realizado na noite de hoje no Rio de janeiro foi cancelado devido a chuva e fortes ventos que derrubaram parte da estrutura do palco. Ainda não foram divulgadas informações sobre um possível show em outra data ou sobre o cancelamento definitivo da apresentação no Rio.


11 de março de 2010

A DESPEDIDA DO A-HA

Este é o Blog do Roqueiro Curitibano. E roqueiro que se preza não escuta outra coisa que não seja Rock and Roll. Pois essa é uma das mentiras mais antigas que existem.
  
Se muitos metaleiros conseguem seguir exclusivamente uma linha musical pesada e maçante, o mesmo não acontece com os Roqueiros (se é que podemos fazer diferenciações). Praticamente todos apreciam algum fragmento do Pop, que pode ser comprovado por aquela coletânea dos anos oitenta ou por aquele material excessivamente popular perdido em algum lugar da casa.
  
Um desses nomes é o A-HA. Quem tem mais de 30 anos e nunca curtiu a música “Take On Me” que atire a primeira pedra (risos). O trio norueguês formado pelo vocalista MORTEN HARKET, pelo guitarrista PAUL WAAKTAAR-SAVOY e pelo tecladista MAGNE FURUHOLMEN iniciou sua carreira em 1984 e não parou mais de fazer sucesso. Mas vai parar.
 
   
Depois de atingir 114 vezes (!) as primeiras vinte posições das paradas musicais de todo o mundo e vender mais de 35 milhões de discos, os integrantes do A-HA anunciaram em outubro do ano passado o fim de suas atividades musicais. E para se despedir de seus milhões de fãs eles resolveram promover uma turnê mundial. Na noite de ontem (10) o trio realizou uma de suas últimas apresentações aqui no Brasil. A Farewell Tour 2010 terminará com três shows na Noruega, o último deles no dia 4 de dezembro.
   
Best In Brazil: Lançamento exclusivo reflete o sucesso do trio por aqui
 
E um dos maiores fenômemos da música Pop de todos os tempos que está passando seus últimos dias aqui no Brasil para shows da despedida. Nosso país que tem um carinho incomum pelos noruegueses. E eles sabem disso.
 
Valeu, A-HA!
 

10 de março de 2010

DO ANALÓGICO AO DIGITAL: O LONGO CAMINHO DA EXPERIÊNCIA COM A MÚSICA

Localizei a matéria abaixo na Revista Eletrônica Com Ciência. O texto fala da história das mídias musicais no decorrer dos anos. Apesar de extenso, o material é bem interessante.

Por Luciana Palharini

Há quem pense que não há, na história da música, revolução maior do que o formato digital. Mas do analógico ao digital, muita história se passou. Para isso, é preciso voltar bem atrás no tempo, em meados do século XIX, um tempo em que a música exigia a espera do evento que iria acontecer, quando a única possibilidade de experienciá-la era assistir uma orquestra que estaria na cidade. Exigia também silêncio, atenção, os ouvidos ficavam atentos tanto quanto os olhos, e o que se levava para casa eram apenas a memória e os sentidos.
 
A primeira invenção capaz de gravar e reproduzir o som e, consequentemente, de possibilitar a audição doméstica da música, foi criada em 1877, por Thomas Alva Edison (1847-1931), em Nova Jersey, nos Estados Unidos. O aparelho foi batizado de phonograph, que poderia ser traduzido por fonógrafo, e consistia num cone em cujo vértice era colocada uma membrana ou diafragma com uma agulha no centro e um cilindro metálico ligado a uma manivela que, acionada manualmente, fazia o cilindro girar com o propósito de gravar ou reproduzir um som. É o período dos cilindros, denominado por pesquisadores, como Eduardo Andrade, professor do curso de música do Instituto de Artes da Unicamp, como “período acústico mecânico”. Ou seja, intervenção elétrica zero.
 
O disco, na forma circular como conhecemos, hoje apelidado carinhosamente de “bolachão”, foi criado em 1887 por um imigrante alemão, Emile Berliner, e era tocado pelo gramofone, aparelho construído por Eldridge R. Johnson e que tinha um motor helicoidal. No início, era feito de goma-laca, uma secreção vegetal importada da Ásia. Caros, pesados e frágeis, os primeiros discos variavam de 60 a 120 rpm (rotações por minuto). Com o tempo, essa disparidade de velocidades logo caiu para um intervalo entre aproximadamente 76 e 82 rpm. E por volta de 1910, a Victor Talking Machine Company, antecessora da RCA Victor, adotou o 78 rpm como a velocidade padrão, e essa foi adotada por toda a indústria de discos. Os 78 rpm eram fabricados em sete polegadas de diâmetro e comportavam no máximo uma música de cada lado.
 
Após a Segunda Guerra Mundial, o Japão corta o suprimento de goma-laca que ia para os Estados Unidos e a indústria fonográfica se vê obrigada a buscar outros materiais. O vinil, um plástico térmico muito mais leve e resistente que a goma-laca, foi o material escolhido e trazia uma nova vantagem sonora: estava totalmente apropriado à descoberta da gravação por microssulco (microgroove), entalhes de tamanho menor na superfície do disco. Em 1949, a RCA lança o disco de 45 rpm e um toca-discos especialmente desenhado para reproduzi-lo. Tal invenção só não fizera mais sucesso porque coexistiu com a chegada do disco de 33 1/3 rpm, que recebeu o nome de LP, do inglês long play, lançado em 1948 pela Columbia, e que se popularizou nos anos 1950 e 1960.
 
O LP foi, sem dúvida, a grande revolução musical da primeira metade do século XX. Com o advento do LP, o evento da audição musical passou a acontecer no ambiente doméstico. “O som ficava no meio da sala. Você comprava um disco do Chico Buarque, vinha o vizinho, vinha o amigo, ouvia-se o disco todo, um lado, depois o outro, discutindo o disco, acompanhado por uma bebida, era um evento. Tinha a coisa do fetiche da mercadoria, era um ritual”, conta o DJ Paulão, pesquisador e produtor musical, dono de uma respeitável coleção de discos. A denominação, long play, que abandona a referência técnica das rotações por minuto, diz tudo: o disco permite um maior armazenamento de informações em cada lado, passando a comportar muito mais músicas. De acordo com o jornalista Leonardo De Marchi, no artigo “A angústia do formato: uma história dos formatos fonográficos”, publicado na revista eletrônica e-compos, da Universidade Federal Fluminense, fruto de sua pesquisa sobre a indústria fonográfica independente e novas tecnologias de comunicação, o nome long play sugere uma “nova experiência de consumo sonoro, temporalmente ‘alongada' em relação aos formatos anteriores”, e é, a partir de então, o preferido pelo grande público e pela indústria fonográfica.
 
À medida que houve melhora da alta fidelidade da gravação, da durabilidade do material suporte em que o som era gravado (vinil) e da possibilidade de portar esse som, aumenta também o consumo, e é nos anos 1960 e 1970 que se tem um boom comercial na venda de discos. Nesse sentido, o padrão de consumo do LP merece atenção. A capa, com um grande volume de informações sobre o álbum e trabalhada com um requinte gráfico cada vez maior, coloca o disco na mesma categoria de valores do livro. “Com o surgimento da estética do álbum, os discos passam a ser vistos como obras de arte em si. O LP passa a ser consumido como livros, ou seja, um suporte fechado, passível de coleção em discotecas privadas – com status de objeto cultural, afinal julga-se a cultura musical de uma pessoa pela discoteca que possui”, afirma De Marchi.
 
Mas os anos de glória do LP, que não foram poucos, estavam prestes a ter um fim. Em 1983, surge um novo suporte, o compact disc ou CD, feito de alumínio, menor e mais leve do que um LP e com capacidade para armazenar aproximadamente 70 minutos de música. Está inaugurada a era digital, que tem como características praticidade e portabilidade: fácil de gravar, fácil de reproduzir, fácil de carregar.
 
A fita magnética já havia trazido as mudanças para o estabelecimento dessa nova fase. Criado bem antes, em 1935, o princípio magnético revolucionou os métodos de gravação em estúdio. “Não apenas as fitas magnéticas eram o suporte adequado às inovações tecnológicas como também eram maleáveis, podendo ser cortadas e editadas, criando novas técnicas de manipulação sonora no estúdio”, conta De Marchi. E trouxe, também, transformações no consumo da música: a possibilidade de se carregar o som no corpo, de ouvi-lo ao andar pelas ruas, com o surgimento da fita cassete e do walkman.
 
Com o CD, o princípio da portabilidade é o mesmo, o produto é inclusive mais delicado do que as fitas cassetes e exige um cuidado maior para se carregar. Mas a qualidade sonora do CD em relação à fita cassete carimbou a inovação do disc man, que se disseminou rapidamente em poucos anos. Também de forma rápida se deu a adoção da tecnologia no ambiente caseiro: em poucos anos, os aparelhos de som à base de madeira e aço que comportavam toca-discos foram substituídos por aparelhos mais modernos, feitos de plástico, com um CD player. Melhor dizendo, não havia opção: em menos de dez anos, não era mais possível comprar um aparelho de som para uso doméstico que tocasse LPs. Enquanto isso, coleções de discos eram colocadas no lixo por milhares de famílias e as fábricas de vinil foram desaparecendo. Foi a ditadura do CD.
 
A era da informação digital
 

Não duraria muito tempo esse sucesso. Menos ainda do que o vinil foram os anos de glória do CD. A nova fase estreia com a chegada do motion picture expert group-layer 3, ou MP3. Totalmente popularizado nos dias de hoje, o MP3 é um arquivo compacto (1/12 do formato wav do CD) para transferência de dados. Em termos de indústria fonográfica, entramos na era da mobilidade da informação, que não está mais fechada em um suporte material. Como afirma DJ Paulão, “o digital é o imaterial. Você cria meios de acessar, mas o invólucro da música nem existe”.
 
É exatamente disso que se está falando. Como aponta De Marchi, “com os formatos virtuais – que não se restringem ao MP3 –, o próprio padrão de consumo se altera. Ao invés de se restringir a um objeto em si, surge um consumo diretamente on-line, transformando a gravação sonora numa informação transferível de suportes (do CD para um HD, para o iPod, para o CD, por exemplo). Isso significa que o formato fonográfico físico tornou-se uma tecnologia para armazenamento da informação, não mais um símbolo cultural em si, como o LP. Mais do que isso, com a convergência tecnológica, o consumo sonoro se expande por diversos meios de comunicação, abrindo o mercado fonográfico a outros setores industriais – empresas de telefonia, por exemplo”.
 
Se a pirataria, que já era possível desde o aparecimento da fita cassete, tomou proporções exorbitantes com a digitalização do processo de gravação e reprodução e a popularização do computador no começo dos anos 1990, seu espaço agora estava ainda mais garantido: o padrão de consumo da música passou por uma nova transformação, a possibilidade de acesso direto, sem mediações nem custo, aos arquivos digitais pela internet. “Essa facilidade tinha que ser vista pela gravadora como um convite à pirataria”, afirma enfaticamente DJ Paulão. Para ele, a maior responsabilidade da queda de vendas do CD é das próprias gravadoras. “Se o preço de consumo de um CD fosse bem mais em conta, desestimularia a indústria da pirataria e animaria as pessoas a investirem no artista. Só para dar um exemplo em reais, se o disco fosse algo em torno de R$ 8 e o disco pirata saísse a R$ 6 – porque, além do custo de produção, o vendedor também tem que ganhar –, dificilmente o cara iria se envolver na pirataria. A pessoa não vai piratear a R$ 6, algo que é legal, regular a R$ 8. Então, essa falta de visão da gravadora fez com que a pirataria ocupasse muito espaço e, a partir do momento em que ela está estabelecida, não tem mais volta”, completa.
 
Uma opção ao combate à pirataria tem movimentado o mercado na internet: a compra de músicas online. A Apple, fabricante do mais popular tocador de MP3, o iPod, desenvolveu recentemente um software de reprodução de áudio, o iTunes, compatível com computadores e sistemas operacionais utilizados comumente e que contém um componente, o iTunes Store, pelo qual os usuários podem comprar arquivos de mídia digital, como músicas. Alguns artistas e bandas, inclusive, têm lançado suas músicas na web para compra online em vários países. No Brasil, Roberto Carlos lançou pela primeira vez na web, em dezembro do ano passado, a canção “A mulher que eu amo”, tema da novela Viver a vida, da Rede Globo.
 
Mas para que comprar uma música na internet se é tão fácil encontrá-la para “baixar” gratuitamente? Essa é uma pergunta que muitas pessoas fariam hoje. Para DJ Paulão, é o que evidencia a mudança da relação com o trabalho do artista provocada pelo fácil acesso digital às obras e pelo alto custo dos originais em CD. “A relação com o artista se perdeu, a pessoa que consome o produto hoje não pensa em investir no artista, isso está muito distante”, comenta. Por esse motivo, existe uma tendência cada vez maior de disponibilização do trabalho pelo próprio artista. O maranhense Zeca Baleiro, por exemplo, tem lançado gratuitamente algumas de suas produções em seu site oficial.
 
Outra tendência são os sites de relacionamento entre artistas, utilizados cada vez mais para lançarem seus trabalhos e que oferecem espaço para postagem de composições próprias, release, fotos e comentários de “amigos”. DJ Goya, pesquisador e produtor musical em Campinas (SP), teve uma carreira breve e faleceu em dezembro de 2008. Mas é possível que sua filha, Clara, que não chegou a conhecer o pai, além de outros usuários da web, possam tomar contato com parte de suas produções graças ao Myspace, um dos sites de relacionamentos mais acessados em todo o mundo. Ao lado dele, existem outros, como o Last.fm e, mais recente, o Soundcloud.
 
Decadência das gravadoras - O retorno do vinil
 
Não é mais possível viver com lucro de CDs hoje em dia. Os artistas são pagos basicamente pelos shows que apresentam. Mas, com a queda de vendas das gravadoras, elas acabam escolhendo produzir apenas o que é sinônimo de lucro garantido, os campeões em audiência, rejeitando muitos artistas e gerando uma classe de “órfãos” de gravadoras. Essa situação, ao lado de toda a facilidade de acesso ao desenvolvimento tecnológico digital, tem feito aumentar o número de estúdios de gravação independentes e, graças a isso, muitos artistas têm conseguido penetrar no cenário da música.
 
Além disso, existe atualmente um interesse muito grande por parte de um número crescente de artistas em lançar sua obra em vinil. “O vinil, eu não sei se é o futuro, mas o CD não é”, responde taxativamente DJ Paulão. “O vinil não é um formato que estimula a pirataria. A aparelhagem de vinil para a pirataria é muito cara. Não é barato, nem tão simples quanto a produção de um CD. A produção de CD é desburocratizada, você seleciona, baixa, queima e pronto. O vinil, neste momento, está enterrando o CD, porque o CD simplesmente como proposta comercial não contempla mais”, conclui.
 
Apesar de ter sofrido um golpe nos anos 1980, o vinil não desapareceu e manteve uma classe de fãs e colecionadores. Entre eles, estão os DJs. Mesmo no universo da música eletrônica, que é composta e gravada através do formato digital, o número de DJs que defendem o uso do vinil é bastante grande. É o que mostra o trabalho de Pedro Peixoto Ferreira, apresentado na 24ª Reunião da Associação Brasileira de Antropologia, em 2004, cujo título é bastante esclarecedor: “Analógico ou digital: a politização nos discursos dos DJs”. Analisando fóruns de discussão virtuais frequentados pelos profissionais, Ferreira aponta duas naturezas diversas e imbricadas no discurso de argumentação dos DJs: uma ligada à estética que esse suporte proporciona, outra de natureza técnica. A questão de ser mais bonito um DJ tocar vinil, das mixagens serem mais “calorosas” em contrapartida à “frieza” do CD, são alguns dos argumentos estéticos que aparecem em suas falas. Entre os argumentos técnicos estão a segurança proporcionada pelo vinil no processo de mixagens, ao contrário do CD, que é um meio inseguro; o fato de ser uma mídia física e proporcionar uma “materialidade imediata” ao uso das mãos e dos olhos, contra a invisibilidade do que está sendo tocado em um CD ; a possibilidade de se atingir efeitos sonoros que dependem da materialidade do vinil, que os torna mais reais do que as simulações digitais “não convincentes” e a impossibilidade do meio digital em atingir frequências mais graves, ou “subgraves”, tão importantes aos ouvidos na opinião dos fãs do vinil.
 
Esse último argumento técnico é, geralmente, o mais citado entre os colecionadores e amantes desse suporte. O digital, como diria DJ Paulão, “sempre vai ser uma maneira de copiar o analógico. O analógico é nossa voz, é o instrumento da maneira como a gente ouve, é um comportamento de onda. O digital são quadradinhos que imitam a onda. Tecnologicamente, cada vez mais os quadradinhos estão menores e a cópia cada vez mais perto da onda, mas nunca vai ser a onda”. É o que explica Ferreira em seu artigo, que traz imagens ampliadas dos sulcos em um disco de vinil e das micro-covas de um CD, mostrando a diferença entre eles. “Não se trata de uma disputa meramente simbólica. Enquanto a gravação analógica é realizada através da transdução do som, a gravação digital é realizada através da sua codificação. A diferença não é superficial e interfere infra-estruturalmente na experiência sonora”, explica o pesquisador. “Na transdução, há sempre uma abertura para o caos, para o imprevisto, para o indeterminado, ao passo que a codificação se define justamente pela organização e pelo controle dos processos. A principal consequência dessa codificação é a necessária eliminação de todas aquelas dimensões sonoras que não podem ser controladas e organizadas, de tudo o que não cabe na ‘grade' da digitalização”, complementa.
  

6 de março de 2010

REVISTA ISTO É DINHEIRO TRAZ MATÉRIA SOBRE A VOLTA DO VINIL

Para quem achava que o assunto era fogo de palha, a Revista Isto É Dinheiro traz na sua última edição uma matéria interessante sobre a restruturação da Polysom e a fabricação de discos de vinil no Brasil. Segue o texto:

A VOLTA DO BOLACHÃO
Em plena era digital, os velhos LPs de vinil ressurgem com força. No Brasil, a fábrica da Polysom é reaberta e quatro discos são lançados em março.
Não poderia ser mais irônico. Ao longo do tempo, desde o fonógrafo até a era digital, com o iPod e os downloads, a história do consumo de música pode ser resumida como uma busca por tornar as canções cada vez mais acessíveis e disseminadas. Mas ao mesmo tempo em que o desgastado CD vive seu crepúsculo, o disco de vinil experimenta uma inesperada ressurreição.
 
Nos Estados Unidos, o bolachão, como é conhecido, tornou-se o formato que mais cresce na preferência do público. Desde 2006, as vendas praticamente triplicaram. Só no ano passado foram comercializados 2,5 milhões de LPs, o maior número desde que a Nielsen Soundscan iniciou esse acompanhamento em 1991. A partir de março, é a vez de o Brasil entrar nesta onda. A gravadora independente Deckdisc vai lançar quatro LPs. A primeira fornada dos novos vinis traz trabalhos de Pitty, Fernanda Takai, Nação Zumbi e Cachorro Grande. 
 
O responsável pela volta dos antigos LPs é o empresário João Augusto, dono da Deckdisc e responsável pela reabertura da Polysom, atualmente a única fábrica do gênero na América Latina. Em 1995, João era vicepresidente da EMI e comandou o fim da produção de discos de vinil da gravadora. Agora, ele quer voltar a ganhar dinheiro com os antigos bolachões. “Vamos atender todas as gravadoras com a fábrica de LPs”, afirma ele. Encomendas do Chile e da Argentina já foram feitas. 
 

A EMI, por exemplo, planeja lançar, em 2010, toda a discografia da Legião Urbana em vinil. A capacidade produtiva da fábrica é de até 40 mil unidades por mês, sendo 28 mil LPs e 12 mil compactos. O preço de cada disco deve ficar na casa dos R$ 80. Alto, é verdade. Mas até agora a única opção era produzir os discos fora do Brasil. Neste caso, o custo para o consumidor ultrapassa os R$ 100. “Hoje em dia, as gravadoras precisam diversificar e se reinventar a todo instante”, acredita João Augusto.

Ninguém defende que o vinil voltará a ser o principal suporte para a música desbancando o digital e a internet. Seu futuro, no entanto, parece hoje muito mais garantido e seguro do que o do próprio CD.
    

5 de março de 2010

KISS FAZ SHOW INTIMISTA E FICA "SEM AR" EM LONDRES



Depois de encurtar a apresentação que faziam na noite de terça-feira (2) em Londres, na Inglaterra, os integrantes do Kiss afirmaram que foram obrigados a suspender o show antes do final porque estavam com dificuldade para respirar.

Os membros da banda americana divulgaram um comunicado explicando que canhões que disparavam confete na canção Rock and Roll All Nite causaram a situação "assustadora", como definiu o vocalista Paul Stanley.
 
"Quando os canhões começaram a estourar, quase não conseguimos enxergar uns aos outros. Achei que estava sozinho no palco", explicou. O confete usado nos shows é disparado pelo gás CO², que deixou os membros sem ar.
 
Mesmo com o incidente, Stanley afirmou que a apresentação foi "uma noite incrível que deixou todos sem fôlego".
 
O show intimista realizado no Islington Academy serviu para a preparação da etapa europeia da turnê do grupo.