4 de junho de 2012

UMA LEGÍTIMA LOJA DE DISCOS EM CURITIBA

O que vocês diriam se eu lhes perguntasse onde compram os discos de suas bandas prediletas? Certamente muitos responderiam que "baixam" as músicas da internet. Pois saibam que essa resposta reflete uma realidade quase absoluta. Quase.

Hoje as músicas em geral podem ser convertidas em arquivos digitais, disponibilizadas em servidores virtuais e acessadas gratuitamente. E com a massificação do acesso à rede mundial de computadores uma grande parcela da população abandonou os formatos físicos, optando pelo download dos arquivos. Tal facilidade fez desaparecer centenas de lojas de CD nos últimos anos. 
  

Mas como bons hábitos não deixam de existir muitas pessoas ainda compram seus long plays e compact discs como há vinte anos. Afinal, adquirir e ouvir um disco pode exigir um cerimonial de apreciação tão sofisticado quanto um bom livro ou uma garrafa de vinho. Música é cultura, meus caros e minhas caras.
E como bom apreciador e consumidor de Rock recomendo a todos uma das "mecas" do vinil e do CD. Trata-se da Só Música, uma das mais tradicionais lojas do ramo musical em Curitiba. Localizado na Galeria Cezar Franco, o estabelecimento é dirigido por Clóvis Cordeiro, que conhece como poucos o comércio da capital paranaense e a boa música brasileira. Não por acaso a loja tem como parte de sua decoração uma coleção inteira de discos da velha guarda nacional.
 

Prestes a completar vinte anos de existência a loja segue firme, oferecendo milhares de opções em LP's e CD's novos e usados, nacionais e importados. São discos simples, boxes, pictures discs, edições limitadas e outras raridades. Tudo com preços atrativos e o melhor atendimento da praça.  

Quem anda em Curitiba e compra discos de vinil sabe do que estou falando.


BATE-PAPO COM CLÓVIS CORDEIRO
Para saber um pouco mais sobre a loja, o blogueiro que vos escreve conversou com o Gentleman Clóvis. Acompanhe:

Há quanto tempo a Só Música está em atividade?
Desde outubro de 1992. Durante dois anos atuou com o nome de "Country & Blues". 

A loja já foi sediada em outro local?
Sim. Nos primeiros seis anos ela existiu na mesma galeria, porém em outra sala. Lá no fundão.

Clóvis Cordeiro
Você gerenciou empreendimentos que marcaram época como Garcez e Hermes Macedo (estou certo?). O que te motivou a entrar no ramo musical?
Sim. Fui funcionário do Grupo HM durante 23 anos. Quando o grupo chegou ao fim eu, recém aposentado, teria que continuar na labuta; achei que seria bom trabalhar por conta e fui fazer o que gosto: lidar com música.
  
Comercialmente falando, você viu a glória e a queda do vinil. Apesar disso, você possui uma clientela muito fiel ao bolachão. Para você, isto é predominantemente saudosismo, colecionismo ou bom gosto?
Acho que são todas as três coisas, mas o bom gosto fala mais alto.

Em algum período de atividade da loja você vendeu mais CD's do que vinil?
Sim. Durante um bom tempo o CD salvou a pátria. Atualmente se eu fosse trabalhar só com ele teria que "pendurar as chuteiras".

Recentemente o vinil voltou a ser fabricado no Brasil num projeto audacioso da Polysom. Qual a sua opinião sobre isso?
É uma iniciativa muito boa. Deve primar pelo lançamento de coisas novas e também pelo relançamento de discos raros. Tomara que a coisa evolua cada vez mais.
Você tem clientes de todas as idades e a maioria (creio eu) busca discos de Rock. Existem muitos jovens que busquem material de outros estilos?
Por incrível que pareça, sim. Às vezes sou surpreendido por jovens procurando material da Velha Guarda (MPB). Noel Rosa, Dorival Caymmy, Ary Barroso, Dolores Duran, Lupicinio Rodrigues, etc... são procurados com uma certa frequencia. 

Como conhecedor da boa música brasileira, você pensa que falta divulgação da música de qualidade ou a maioria da população sempre consumirá o produto comercial?
Sem sombra de dúvida. A nossa música de qualidade, infelizmente, não tem o espaço  na grande mídia. Entristeço-me muito em ver tanta gente boa fazendo trabalho de primeira qualidade sem o  apoio merecido. Sempre gostei de ouvir rádio. Toda a minha cultura musical vem dele e fico horrorizado com o que se ouve na atualidade nesse grande veículo de comunicação. Atualmente, tanto o rádio como a televisão e também muitas gravadoras estão a fim de explorar só a música descartável. Coisa de fácil consumo e gosto duvidoso.
 
O fato de trabalhar com discos lhe deu a oportunidade de conhecer muitas coisas novas. Isso afetou o teu gosto musical?
Não. Ampliei o meu conhecimento em todos os seguimentos musicais, mas o meu gosto não sofreu mudanças. Continuo gostando da nossa MPB, da música de raíz, da música clássica, do Jazz, do Rock, enfim, da música de qualidade. Sendo boa, "o que vier eu traço".

Você tem uma coleção particular de discos e CD's?
Sim, tenho alguns. Muitas vezes ameacei colocá-los à venda mas, contrariando os meus princípios religiosos, ainda me sinto muito apegado a eles. A hora certa há de chegar.

Existe algum disco muito desejado que você ainda não possui?
Existem vários. Gostaria que fossem poucos, mas são muitos.
 
Voltando a falar da loja, a Só Música foi citada em uma revista de circulação nacional como uma de cinco referências para vinil no Brasil. Como você se sentiu sobre isso?
Foi uma surpresa muito gratificante, pois vim saber do fato através de um cliente. O autor da matéria se manteve anônimo. Esteve na loja, fez o trabalho sem eu saber. Posteriormente contatei-o e fiz os meus devidos agadecimentos.
 
Vocè teve/tem clientes ilustres? 
Todos os meus clientes são considerados ilustres, mas levando para o lado da notoriedade posso lhe afirmar que já fui visitado (compraram!E como compraram!) por alguns famosos, principalmente do meio artístico.

Já ocorreu alguma situação inusitada, infame ou engraçada na loja que mereça destaque?
Já ocorreram as três, mas sem destaque.

Você poderia recomendar cinco discos de acordo com o seu gosto musical?
Vamos lá:
Clube da Esquina - Volume 1 (1972)
Stan Getz Plays Jobim (1962)
Coração - Alaide Costa (1976)
Ellis e Tom (1974)
Ballads - John Coltrane (1961)
  
Serviço:
Só Música Discos - CDs - LPs
Compra - Vende - Troca - Importa
Rua Emiliano Perneta, 30
Galeria Cezar Franco - Loja 19 (Próximo a Praça Zacarias)
Fone (41) 3222-4339

10 comentários:

Gabriel Floriani disse...

Olá, parabéns pelo blog. Visito sempre o sebo "Só Música". Muito bom.

Abraço.

Roqueiro Curitibano disse...

Valeu, Gabriel.

Participe do Blog com a gente!

Abraço,

Denis.

Anônimo disse...

alo!!, soy Raul de asuncion, queria saber si a loja tem telefone para ligar, eu estou procurando discos vinyl do mpb brasilero dos anos 80 como kid abelha, rita lee, eu estaria por Curitiba fines de marzo, voce pensa que em curitiba encontrarei os vinyls, em bom estado!!!, si me pasar o telefone eu ligo, obrigado

Roqueiro Curitibano disse...

Alo, Raul.

Sim, é possível que a loja tenha alguns destes discos em bom estado.
O telefone é (41) 3222-4339.

Obrigado pela visita.

Denis.

Ana disse...

Oi!
Por um acaso você nao saberia de algum estabelecimento que vende toca disco de boas marcas em Curitiba?

Roqueiro Curitibano disse...

Oi Ana!

Olha, tá complicado comprar toca discos em lojas físicas, seja novo ou usado...
Sem levar em conta marca, preço e qualidade o mais prático seria verificar nas lojas Ponzio Discos, Raridade Som, Livrarias Curitiba e FNAC.

Obrigado por visitar o Blog.

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Denis.

chris disse...

olá eu gostaria de saber se vcs compram long plays pq eu tenho bastante e gostaria de vende-los

Roqueiro Curitibano disse...

Olá Chris,

A loja Só Música não é minha, mas de meu amigo Clóvis. Compareça a loja ou ligue (o telefone está na postagem) para verificar a possibilidade de vendê-los. Se os seus discos são de Rock, a possibilidade de vender é muito boa

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Denis.

Vanderlei Hermes disse...

Parabéns pela matéria, graças a ela voltarei a comprar discos e ouvi-los como nos tempos de adolescente. Abraços e sucesso.

Roqueiro Curitibano disse...

Olá, Vanderlei.

Obrigado pelo seu comentário. Ouvir discos de vinil é um hábito extremamente salutar. E Curitiba tem bons lugares para comprá-los como a Só Música.

Um forte abraço a você e a todos em Campo Largo. Sejam sempre bem-vindos ao blog.

Att,

Denis