7 de março de 2013

O CD VAI DEIXAR DE EXISTIR? NEM PENSAR...

A banalização do acesso à música traz algumas questões para discussão. Recentemente ouvi um pessoal falando sobre o fim do Compact Disc (CD).

Com oferta de músicas por streaming, facilidade para se ouvir faixas em redes sociais como o YouTube,  sites de download gratuito (e ilegal segundo alguns) e vendas de discos de vinil em crescimento já tem gente dizendo que a bolachinha digital, a mesma que "matou" o LP, está com os dias contados. Será mesmo? Particularmente acredito que NÃO. Dou três motivos.

- É quase impossível imaginar que os músicos deixem de disponibilizar um formato físico ou que mudem radicalmente o mesmo. Já pensou o AC/DC aparecendo na TV e dizendo "Estamos lançando nosso mais novo Pen Drive com dez faixas" (RISOS);

- Os discos de vinil NOVOS ainda são restritos. Por exemplo: a Polysom lança títulos novos e relança clássicos de música brasileira, mas não lança (ou relança) LPs clássicos de Rock internacional. Isso sem falar que os toca-discos disponíveis atualmente são poucos, caríssimos e de qualidade limitada.

- Fãs e colecionadores não deixariam de comprar algum tipo de mídia. Acreditem, colecionadores de CDs ou de LPs existem em todas as partes do mundo. E eles levam isso muito a sério.

É o que penso.


BENEDITO "MONSTRO" SOLTA O VERBO
E falando em CDs, postei abaixo uma recente conversa que tive com meu amigo Benedito Cesar. Ele é proprietário da Discos Raros, loja virtual que disponibiliza um dos maiores e mais bem servidos acervos de "discos compactos" do Brasil. Confiram o papo:

Desde quando você vende música?
Desde sempre, mas na Feira do Largo são 23 anos.

Você já vendeu discos em algum outro lugar além da Feira do Largo da Ordem? 
Eu tive uma loja chamada Czar Discos - frente ao CEFET e hoje estamos na internet com a Discos Raros.

A Feira do Largo da Ordem atual é visitada por um grande número de famílias. Qual era o perfil dos visitantes no tempo da "feirinha hippie"? 
Eu não sou desse tempo, pois a feira hippie era na Tiradentes, e isso foi há mais de 40 anos. Quanto ao perfil, é claro que mudou muito, hoje temos gente de todas as tribos. 
Muitos CD's clássicos nunca foram lançados no Brasil, obrigando os consumidores a buscá-los no exterior. Em contrapartida, lançamentos obscuros já rolaram por aqui e tornaram-se verdadeiras raridades (até mesmo para consumidores gringos). Você acredita que isso foi intencional, obra do acaso ou falta de visão de mercado? 
Total falta de visão. As pessoas que trabalham em gravadoras na maioria são muito estúpidas. Se não possuem conhecimento, perguntem para quem tem. Quanto a lançamentos obscuros por aqui, é pura obra da cegueira industrial.

Os seus clientes buscam CD's de música boa e diferenciada. Você acredita que esse perfil de consumidor vai consolidar a "bolachinha digital" como um item de colecionismo assim como ocorreu com o vinil? 
Consolidado está, porém é a indústria da "música" que vem matando a música.

Você acredita que o CD continuará sendo distribuído em grande escala, deixará de ser produzido um dia ou existirão apenas tiragens bem limitadas? 
Eu não acredito, pois até agora existem milhares de títulos inéditos em CD e as gravadoras não se tocam, não abrem seus baús. Penso que no futuro será muito complicado para quem tem cultura musical e gosta de comprar músicas neste formato (CD).

Qual foi o pedido de cliente mais difícil de atender que você lembra? 
Trabalhar com CDs de música ruim como Axé, "Kornonejo" e todos os seus derivados midiáticos.

Tem algum CD que você ainda não tem na sua coleção? 
Milhares, e olha que tenho CDs!

O fato de trabalhar com música lhe deu a oportunidade de conhecer muitas coisas novas. Isso afetou o teu gosto musical? 
Não afetou, continuo com o mesmo gosto musical. E são poucas coisas novas que me agradam e que serão lembradas daqui 10, 20 anos. Então fico com o meu bom e "véio" Rock 'n' Roll. 
Mudando de assunto, recentemente o vinil voltou a ser fabricado no Brasil num projeto audacioso da Polysom. Qual a sua opinião sobre isso? 
Quando digo que a indústria é estúpida, está aí mais uma afirmação. No Brasil, indústria matou o vinil e seus compradores, e agora está aí o revival dos LPs. Quanto ao projeto da Polysom em relançar o vinil eu acho bacana, mas eles sofrem do mesmo desconhecimento de outrora. Com tanta coisa boa por aí, relançar o primeiro disco do INIMIGOS DO REI... faça-me o favor!!!!

É verídica a história de que o famoso João Lopes (da canção "Bicho do Paraná") não tinha sequer um exemplar do próprio disco lançado e comprou o LP de você? 
Sim, pelo menos foi o que o próprio João Lopes falou no dia da compra. Eu penso que ele não deve ter vó (risos).

Já ocorreu alguma situação inusitada, infame ou engraçada na feira que mereça destaque? 
Várias, mas uma foi bem estranha. Uma mulher pediu um CD de Axé, e eu disse que não trabalhava com esse tipo de música, e ela disse "se você trabalhasse com esse tipo de música, você venderia muito mais do que essas porcarias que você vende". Eu respondi "se for para trabalhar com drogas (música ruim) eu vou vender cocaína, vai fazer fila aqui. A risada foi geral.

Você está voltando para a FM para coordenar programação. Na sua opinião, as rádios FM de hoje fazem um bom trabalho quando o assunto é divulgar boa música? 
Aonde??? As rádios são cretinas para ouvinte cretino, só divulgam lixo, quase todas são iguais. A maioria só toca esta desgraça do "Kornonejo Universotário". Imagine o nível desses universitários, os "kornonejos" começaram com "Ai Ai se eu..", "le re le", "chum cha, para pá pá"... Se conseguirem chegar até o Z será uma grande evolução, e eu tenho fé, (risos). A boa música com melodia e letra sumiu do rádio, dá muito trabalho para entender uma letra (risos). Aqui temos a Mundo Livre que é legal, e mesmo assim carece de ventilação. Essa será a minha dura batalha, banir sem dó nem piedade esse tipo de música execrável da programação.

Você conduziu programas que marcaram época como O Peso do Rock e Zum Make to Rock. Você também pensa em voltar a comandar algum programa em breve?
Isso quem diz é a galera rockeira (risos), isso se deve ao fato de tocar coisas diferentes, e não sempre as mesmas do ZEPPELIN, do SABBATH, e por aí vai. Quanto a um novo programa no momento não, pois isso demanda muito tempo. Apresentar é mole, mas produzir é "punk".

Para finalizar, você poderia recomendar cinco discos de acordo com o seu gosto musical?
Isso é cruel, 5 é pouco, poderia ser um container (risos). 
Shades Of - Deep Purple
Aftermath - The Rolling Stones
Blonde On Blonde - Bob Dylan
All Things Must Pass - George Harrison
The Dark Side Of The Moon - Pink Floyd


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