27 de junho de 2010

MELHORES DO ROCK: KISS

O KISS é um dos maiores fenômenos culturais de todos os tempos. O grupo surgiu em 1973 na cidade de Nova Iorque depois que GENE SIMMONS (baixo e vocal) e PAUL STANLEY (guitarra e vocal) desistiram de continuar com o WICKED LESTER. Através de uma “audição” a dupla selecionou ACE FREHLEY (guitarra solo e vocal). Por meio de um anúncio de jornal, encontraram PETER CRISS (bateria e vocal).
 
O KISS desenvolvia um som totalmente original e queria somar a ele uma imagem impactante. Depois de projetar o visual desejado, incluindo a utilização das maquiagens e pirotecnia de palco, a banda buscou conquistar o cenário norte-americano.
  
Ace Frehley, Paul Stanley, Peter Criss e Gene Simmons
   
Porém, o início do KISS foi discreto. O álbum de estréia, KISS (1973), apesar de trazer clássicos como  “Deuce”, “Strutter”, “Firehouse” e “Cold Gin” vendeu muito pouco. Ainda fazendo parte do cenário underground novaiorquino, a banda insistia em conquistar o grande público. O segundo disco, Hotter Than Hell (1974) teve uma produção sonora contestável, embora trouxesse petardos como “Hotter Than Hell”, “Parasite” e “Watchin’ You”.
 
Em 1975 a banda lançou o ótimo Dressed To Kill, que trazia a versão de estúdio do clássico “Rock and Roll All Nite”. Mesmo com três discos lançados e algumas jogadas de marketing para impulsionar as vendas, o KISS não decolava.
  
 
Mas as apresentações da banda, repletas de efeitos especiais e performances primorosas, já incendiavam o cenário musical dos Estados Unidos. Foi então que o grupo resolveu lançar um disco ao vivo. Mesmo parecendo loucura, a gravadora Casablanca (que não tinha mais dinheiro) resolveu apostar. E conseguiu. Alive! (1975), gravado em Detroit, foi um sucesso absoluto de vendas e abriu definitivamente o mercado musical para a banda. Posteriormente, o álbum foi eleito pela Billboard como o melhor disco ao vivo de todos os tempos. Com o sucesso, as vendas dos discos anteriores dispararam.
 
Para o álbum seguinte, a banda trouxe o produtor BOB EZRIN e o resultado foi Destroyer (1976), uma das maiores obras-primas do Rock and Roll, que trazia clássicos como “Detroit Rock City”, “God of Thunder”, “Shout It Out Loud” "King of the Night Time World", "Do you Love Me?" e  “Beth”, balada de PETER CRISS que levou o KISS às paradas musicais.
 
Esbanjando criatividade, a banda lançou no mesmo ano o fantástico Rock and Roll Over que trazia clássicos como "Makin' Love", "I Want You" e "Hard Luck Woman". Em 1977, o KISS foi eleito o melhor grupo de Rock nos Estados Unidos pelo Instituto Gallup. No mesmo ano, a banda foi ao Japão para sete apresentações lotadas no famoso Budokan Hall. Em seguida, a banda gravou os álbuns Love Gun (1977) e Alive II (1977), disco duplo ao vivo com cinco canções inéditas de estúdio.
  
  
A banda havia se tornado uma verdadeira máquina de fazer dinheiro. A quantidade de produtos à venda com o nome da banda era incontável. Aliás, uma das mais incríveis jogadas de marketing foi realizada nesse período, quando a banda virou história em quadrinhos da MARVEL: Os quatro integrantes doaram amostras de sangue à editora, que as misturou na tinta de impressão dos gibis! Em 1978, foi lançada a primeira coletânea oficial do grupo, Double Platinum, que trazia uma nova versão da música “Strutter”.
 
O desgaste com tamanha exposição na mídia começou a afetar os integrantes. Nesse periodo, a banda gravou o filme KISS Meets the Phantom of the Park (1978). A pérola cinematográfica foi exibida aqui no Brasil nos anos 80. Durante as gravações da película, PETER CRISS e ACE FREHLEY resolvem sair do grupo. Tentando evitar a separação, os quatro integrantes lançaram discos solos dentro do próprio KISS, fato único no mundo até hoje. Os lançamentos solo permitiram aos fãs conhecer a linha musical de cada integrante da banda.
 
 
Em 1979, o KISS lança o interessante (porém muito criticado) Dynasty, que trazia influências da Disco Music da época. Logo depois da turnê de divulgação do álbum, o baterista PETER CRISS abandonou o grupo. Em 1980, o KISS gravou o Pop Unmasked. CRISS, que não gravou o disco, apareceu na capa e no videoclipe de “Shandi” por questões contratuais. Com a primeira baixa na formação original, o KISS realizou uma grande audição em seu país visando encontrar o novo baterista. E o escolhido foi ERIC CARR, que trouxe uma batida mais rápida e pesada ao som da banda. Em decadência nos Estados Unidos, o grupo foi a países como a Austrália, onde o fenômeno KISS estava no auge.
 
No ano de 1981, a banda respondeu às duras críticas da mídia lançando o conceitual Music From The Elder. O disco foi rejeitado pela maioria dos fãs, enquanto a imprensa elogiou o álbum produzido por LOU REED. Este foi o único lançamento da banda que não recebeu disco de ouro. Em seguida, o grupo lançou a coletânea Killers (1982) contendo quatro músicas inéditas.
  
Gene Simmons, Ace Frehley, Eric Carr e Paul Stanley
 
No mesmo ano, o KISS gravaria um dos maiores discos de sua carreira, Creatures Of The Night, com as faixas “I Love It Loud” e “War Machine”. O álbum se tornou uma das maiores referências do Rock pesado, tendo influenciado uma geração inteira de roqueiros. O material foi produzido por MICHAEL JAMES JACKSON e dedicado a memória de NEIL BOGART, dono do selo Casablanca que havia morrido pouco antes do lançamento. Apesar de a capa do disco trazer a imagem de ACE FREHLEY, o mesmo não fez parte das gravações, pois a banda já contava com o guitarrista VINNIE VINCENT.
     
Em 1983, o KISS anunciou a sua vinda ao Brasil para três antológicas apresentações. Aquela seria a última turnê com máscaras. O show realizado no Maracanã registrou o maior público da carreira da banda, com mais de cento e cinqüenta mil pessoas. Os shows do KISS no Brasil precederam o surgimento do maior festival de Rock do mundo, o Rock In Rio.
 
Gene Simmons, Vinnie Vincent, Paul Stanley e Eric Carr (fundo)
 
Para evitar um desgaste ainda maior na imagem do KISS e correndo atrás de um fato novo na história da banda, os integrantes resolveram tirar as máscaras e revelar os rostos no canal musical MTV. Nesse período, voltaram ao estúdio para gravar o album Lick It Up (1983), o qual teve boa repercussão. Depois de algumas divergências, o talentoso guitarrista VINNIE VINCENT foi despedido da banda, dando lugar a MARK ST. JOHN.
 
De guitarrista novo e no embalo do glamoroso Hard Rock que começava a ferver nos Estados Unidos, o grupo lança Animalize (1984) contendo a inacreditável “Heavens On Fire”. Na turnê européia de divulgação do disco, MARK ST. JOHN precisou abandonar a banda por problemas de saúde, dando lugar ao excelente BRUCE KULICK.

Paul Stanley, Mark St. John, Eric Carr (ao fundo) e Gene Simmons
  
Ainda influenciado pelo Glam Rock americano, a banda gravou Asylum (1985). Dois anos depois e menos colorido, o KISS lançou o excelente Crazy Nights. A faixa “Crazy, Crazy Nights” fez estrondoso sucesso no Reino Unido.
 
Em 1988, a banda foi à Alemanha para se apresentar no festival Monsters of Rock. No mesmo ano, o KISS lançou o disco Smashes, Thrashes and Hits, uma coletânea remixada com duas faixas inéditas. Nesta compilação, o baterista ERIC CARR cantou a música “Beth”.
  
Bruce Kulick, Paul Stanley, Eric Carr e Gene Simmons
 
Em 1989, o KISS lançou o disco Hot In The Shade, contendo as faixas “Hide Your Heart” e “Forever”, balada que virou tema de novela aqui no Brasil. O disco, apesar de ser um clássico de sua época, foi responsável por trazer uma postura madura ao grupo. A turnê do disco se destacou pela gradiosa produção.
 
Em 24 de novembro de 1991, mesma data da morte de FREDDIE MERCURY (QUEEN) o baterista ERIC CARR morre de câncer, no mais triste momento da história da banda.
 
Logo em seguida, o KISS lançou um de seus melhores discos, Revenge (1992), com destaque para as faixas “Unholy”, “Domino” e “God Gave Rock N’ Roll To You II” regravação de um clássico da banda ARGENT. A faixa “Unholy” foi co-produzida pelo ex-guitarrista VINNIE VINCENT (VINCENT CUZANO). O excelente ERIC SINGER foi o responsável por assumir as baquetas.
 
Bruce Kulick, Gene Simmons, Eric Singer e Paul Stanley
  
Em 1993, a banda lança seu terceiro disco ao vivo, Alive III. No ano seguinte, foi lançado Kiss My Ass, um tributo à banda com participações de LENNY KRAVITZ, STEVE WONDER e GARTH BROOKS. Ainda em 1994, o KISS veio ao Brasil para se apresentar no festival Monsters Of Rock. No ano seguinte, a banda participou de várias convenções realizadas pelo KISS ARMY, o exército de fãs do KISS. Em uma dessas convenções, o baterista PETER CRISS foi convidado a cantar com o grupo.
 
Então a MTV propôs ao KISS a gravação do tradicional acústico realizado pela emissora. O show teria as participações especiais de PETER CRISS e ACE FREHLEY. A banda topou e o resultado foi um sucesso. MTV Unplugged (1995) foi lançado em CD, cassete, vinil duplo, VHS e Laserdisc.
 
Singer, Criss, Simmons, Frehley, Stanley e Kulick
  
Com a repercussão mundial do reencontro, GENE SIMMONS, PETER CRISS, ACE FREHLEY e PAUL STANLEY colocaram as máscaras novamente e partiram para uma enorme turnê mundial. O Home Vídeo Second Coming registrou a volta da formação original.

Com a volta do KISS original, BRUCE KULICK e ERIC SINGER saíram da banda. Em 1997, foi lançado o disco Carnival of Souls, gravado na época em que KULICK e SINGER ainda estavam no grupo. Este álbum traz um Hard Rock típico dos anos 90 e chegou a ser rotulado de Grunge.
 
Peter Criss, Paul Stanley, Gene Simmons e Ace Frehley
 
Em 1998, foi lançado Psycho Circus, primeiro álbum com a formação original em quase vinte anos. ACE e PETER não estavam bem e, por isso, a guitarra solo e a bateria foram gravadas em sua maior parte por músicos de estúdio. O ex-guitarrista BRUCE KULICK teve participação na faixa “Whittin”. A gigantesca turnê de divulgação do álbum trouxe telões com efeitos em terceira dimensão (3D) pela primeira vez na história do Rock. Em abril de 1999, o KISS apresentou a turnê ao Brasil em dois shows. Em 31 de dezembro do mesmo ano, a banda se apresentou em Vancouver, no Canadá. O show foi registrado para o lançamento do disco Alive IV, fato que não aconteceu. No mesmo ano, foi lançado o filme Detroit Rock City, comédia sobre quatro garotos que desejam ir a um show do KISS.
 
Em 2001, a formação original se apresentou pela última vez. ERIC SINGER foi convocado e substituiu PETER CRISS (com artrite), utilizando inclusive a sua maquiagem. Neste ano, foi lançada KISS - The Box Set, caixa com cinco volumes reunindo os principais sucessos do grupo e várias raridades.

Gene Simmons, Paul Stanley, Eric Singer e Ace Frehley
 
Em 2003, CRISS retornou ao grupo e FREHLEY foi quem saiu definitivamente. TOMMY THAYER, produtor do KISS e ex-integrante da banda BLACK N’ BLUE, assumiu a guitarra solo e a maquiagem de FREHLEY. Com a nova formação, a banda gravou na Austrália o disco KISS Symphony - Alive IV, com a participação da Orquestra Sinfônica de Melbourne.
  
No mesmo período, ERIC SINGER esteve no Brasil para participar do primeiro evento oficial de fãs do KISS no país. Em 2004, PETER CRISS saiu definitivamente para o retorno de SINGER, que por um período revezou-se entre o KISS e a banda de ALICE COOPER.
  
Paul Stanley, Tommy Thayer, Peter Criss e Gene Simmons

Em 2006, foi lançada KISS Alive 1975-2000, caixa com quatro volumes que inclui o show de Vancouver, anteriormente desprezado.
 
No dia 05 de abril de 2007, o ex-guitarrista MARK ST. JOHN morreu de hemorragia cerebral. No mesmo ano, PAUL STANLEY sofreu uma taquicardia pouco antes de uma apresentação. O restante da banda, a pedido de PAUL, subiu ao palco e realizou o show como um trio. No ano seguinte, o KISS se apresentou durante o GP da Australia de Formula 1. Ainda em 2008 foi lançado o disco Jigoku-Retsuden, coletânea de regravações feitas pela banda.
  
Em 2009, a banda retornou ao Brasil para dois shows da turnê ALIVE 35. No mesmo ano, GENE SIMMONS, PAUL STANLEY, TOMMY THAYER e ERIC SINGER encontraram inspiração e lançaram o excelente álbum de inéditas Sonic Boom, com influências de praticamente todas as fases da banda.
 
Gene Simmons, Eric Singer, Paul Stanley e Tommy Thayer
  
Após a gravação do álbum, o KISS saiu para inúmeras apresentações nos Estados Unidos, Canada, e Europa, tendo participado pela segunda vez do Festival Rock Am Ring em junho de 2010.

A banda prevê para 2012 o lançamento de um novo álbum que promete superar as expectativas do disco anterior. O nome será Monster e poderá ser divulgado em uma ampla turnê mundial.


DISCOGRAFIA:

KISS (1973)
Hotter Than Hell (1974)
Dressed to Kill (1975)
Alive! (1975)
Destroyer (1976)
The Originals (1976)
Rock and Roll Over (1976)
Love Gun (1977)
Alive II (1977)
Double Platinum (1978)
Paul Stanley (1978)
Peter Criss (1978)
Ace Frehley (1978)
Gene Simmons (1978)
Dynasty (1979)
Unmasked (1980)
Music From The Elder (1981)
Killers (1982)
Creatures of the Night (1982)
Lick It Up (1983)
Animalize (1984)
Asylum (1985)
Crazy Nights (1987)
Smashes, Thrashes & Hits (1988)
Hot in the Shade (1989)
Revenge (1992)
Alive III (1993)
Kiss My Ass (1994)
MTV Unplugged (1995)
You Wanted the Best You Got the Best (1996)
Greatest KISS (1997)
Carnival of Souls: The Final Sessions (1997)
Psycho Circus (1998)
KISS - The Box Set (2001)
The Very Best of KISS (2002)
KISS Symphony - Alive IV (2003)
The Millenium Collection (2003)
KISS Gold 1974-1982 (2004)
The Millenium Collection Vol. 2 (2004)
Chronicles (2005)
The Millenium Collection Vol. 3 (2006)
KISS Alive 1975-2000 (2006)
The Best of KISS (2008)
Jigoku Retsuden (2008)
Sonic Boom (2009)


O Especial Melhores do Rock traz um resumo biográfico de grandes nomes do Rock and Roll. São textos próprios, enriquecidos com imagens e links que visam levar ao público um conteúdo diferenciado.
 
 

2 comentários:

Anônimo disse...

Excelente postagem, conseguiu resumir 40 anos da banda em poucas palavras que explicam muito bem a chamada "KISStory". Diz da melhor forma possível todas as fases da banda, os altos e baixos e seus sucessos (que são todos) desde "Alive!" até uma pequena parte sobre o monstruoso "Monster". Valeu ROQUEIRO CURITIBANO, muito boa esta postagem. YOU WANTED THE BEST, YOU GOT THE BEST, THE HOTTEST BAND IN THE WORLD... KISS

Roqueiro Curitibano disse...

Olá, anônimo.

Agradeço pelas suas palavras.
Continue acompanhando o Blog. Aberto a sugestões e críticas.

Att,

Denis.