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3 de junho de 2023

TRIBUTO AO LENDÁRIO LINK WRAY

Um sensacional tributo a LINK WRAY foi disponibilizado recentemente. Trata-se de Guitar Ace, com 24 faixas do cara gravadas por dezenas de artistas, a maioria desconhecida do grande público.

O saudoso guitarrista norte-americano é conhecido como o “pai” do Power Chord, acorde de duas notas que causa um efeito de saturação no som. Ou seja, o cara é um dos responsáveis pelo som distorcido das guitarras na história do Rock. Certa vez, PETE TOWNSHEND (do THE WHO) disse que jamais teria empunhado uma guitarra se não fosse por ele.


A faixa mais conhecida de WRAY é a instrumental “Rumble”, gravada há 65 anos (!!!). BOB DYLAN teria chamado a faixa de “melhor instrumental de todos os tempos”. Possivelmente, você já a ouviu em algum lugar. Como referência, ela é uma das trilhas do icônico filme Pulp Fiction, de 1994.

Pra quem curte aquele som com influencias de Country, Rockabilly e Surf, obrigatório dar uma conferida.

Abaixo, capa, faixa e tracklist:



01. Raw-Hide (MYSTERY ACTION)
02. Ain't That Loving You, Babe (BLEED)
03. The Shadow Knows (SPY-FI)
04. The Outlaw (THE HELLBENDERS)
05. I'm So Glad I'm So Proud (THROW RAG)
06. Friday Night Dance Party (THE LEDGERS)
07. Soul Train (THE FLESHTONES)
08. Mustang (THE SPACE COSSACKS)
09. Ace Of Spades (DAVE WRONSKI)
10. Slinky (FIFTY FOOT COMBO)
11. Rumble Mambo (HYPNOMEN)
12. Deacon Jones (THE WOGGLES)
13. Fire And Brimstone (BOSS MARTIANS)
14. Fallin' Rain (CALEXICO)
15. Genocide (THE DOWNERS)
16. I'm Branded (SOUTHERN CULTURE ON THE SKIDS)
17. Baby Doll (GORE GORE GIRLS)
18. The Girl Can't Dance (EVAN FOSTER)
19. Jack The Ripper (POLLO DEL MAR)
20. Comanche (THE VOLCANOS)
21. Run Chicken Run (JACKIE AND THE CEDRICS)
22. Run Boy Run (DEKE DICKERSON & THE ECCOFONICS)
23. Rumble (THE BAMBI MOLESTERS)
24. Roughshod (FOUR PIECE SUITE)

12 de maio de 2022

UMA NOVA MÍDIA ANALÓGICA DEPOIS DO DISCO DE VINIL?

O tal "novo disco de vinil", caso ganhe escala comercial, será mais uma cara opção para os colecionadores de plantão. Mas, certamente, todos os apreciadores de música e mídias físicas (dentre os quais me incluo) querem saber sobre sua qualidade sonora. As questões ao final da matéria resumem a curiosidade de muitos. Aguardemos os próximos capítulos.



Fim do vinil? Bob Dylan ajuda a criar disco de alumínio 'superior a tudo'

De tempos em tempos, nos deparamos com notícias insólitas. A última: T Bone Burnett, produtor e guitarrista americano multivencedor do Grammy, anunciou que está desenvolvendo uma nova mídia musical, em parceria com ninguém menos que Bob Dylan, com quem tocou e excursionou nos anos 1970.

A novidade é um disco de alumínio envernizado que contém uma ranhura em espiral, cuja trilha parte de fora para o centro da peça. Em outras palavras, uma suposta evolução na tecnologia do vinil, com qualidade sonora superior ao LP e a qualquer outra mídia existente, transmissão digital incluída.

Na foto de divulgação que você vê abaixo, Burnett está segurando uma espécie de CD gigante com sulcos visíveis na superfície, o que indica que a leitura da peça será feita analogicamente.


O nome patenteado do projeto é Ionic Originals. Ou, segundo comunicado oficial, "discos que avançam na arte do som gravado e marcam o primeira evolução na reprodução analógica em mais de 70 anos".
Nota da edição: Não, isso não é verdade. O disco de vinil, lançado em 1948, recebeu tecnologia stereo dez anos depois e passou por mudanças no processo de prensagem ao longo das décadas, que aprimoraram sua qualidade.

Talvez a melhor parte da empreitada, os primeiros Ionics trarão clássicos de Bob Dylan, que foram regravados pelo cantor ao lado de Burnett especialmente para a chegada do suporte.

A nota de apresentação, marqueteira como qualquer outra do gênero, joga as expectativas na estratosfera ao tentar vender uma ideia incrível e quase "poética" a investidores.

Um Ionic Original é o auge do som gravado. É qualidade de arquivo. É à prova de futuro. É único. Não é apenas o equivalente a uma pintura, é uma pintura. É laca pintada em um disco de alumínio, com uma espiral gravada por música. Esta pintura, no entanto, tem ainda a qualidade de conter aquela música, que pode ser ouvida colocando uma agulha na espiral e girando-a.

Conforme observamos na foto ampliada, o disco se assemelha mais a uma engrenagem industrial brilhosa do que exatamente a uma obra de arte. Mas essa pode ser só a percepção costumeiramente contida do colunista, que não se empolgou muito. 

Burnett prossegue.

Ao descrever a qualidade que eleva o som analógico acima do digital, a palavra 'calor' é frequentemente usada. O som analógico tem mais profundidade, mais complexidade harmônica, mais ressonância, melhor imagem. O analógico tem mais sensação, mais personalidade, mais toque. O som digital está congelado. O som analógico está vivo.

Mais problemas nesse discurso. Por conter limites de definição, o som analógico do vinil como existe hoje, apesar de suas atrativas qualidades sonoras, não possui mais "profundidade" que o digital, embora tenha de fato mais ressonância, que na prática significa distorção. E isso não é exatamente algo desejável a todos os ouvidos.

Continuando, a ideia do músico e agora inventor é comercializar o formato via sua nova empresa, a NeoFidelity Inc, cuja missão é "gravar artistas em uma ampla gama de gêneros musicais e fornecer uma plataforma de distribuição para os Ionic Originals". Burnett quer "redefinir a avaliação da música gravada".

Mas qual é o problema de tudo isso?

A indústria do vinil vive uma crise decorrente da alta demanda e atualmente precisa lidar com preocupações ambientais crescentes. Toda ideia é bem-vinda, mas todo esse discurso edulcorado deixou colecionadores e especialistas ainda mais céticos sobre a viabilidade dos Ionic.

Não bastasse o histórico de projetos do gênero que naufragaram ou não conseguiram nem sair do papel, a falta de informação é gritante.

Algumas questões mais que básicas

Os discos poderão ser reproduzidos em um toca-discos comum? Quantos minutos de música caberão neles? Como serão gravados? Qual é a vantagem prática em relação ao vinil tradicional e a projetos de alta-definição, como o HD Vinyl, além da prometida qualidade sonora?

Mais: quando o público poderá colocar as mãos em uma dessas coisas? Quanto elas custarão? Quem são os parceiros da NeoFidelity e, talvez o mais importante, que varejista irá se aventurar a vender a novidade? Que garantias ele terá?

Nada disso foi respondido por Burnett até o momento

Sendo assim, é muito difícil não vislumbrar que os Ionic Originals estão fadados ao cemitério de formatos musicais e dispositivos, como o Pono, o player criado por Neil Young que prometia alta definição digital, mas não entregava isso e fracassou retumbantemente.

Infelizmente, não temos informações para julgar nada além da apresentação do invento, que não se mostrou lá muito auspiciosa. Mas cá estaremos para acompanhar o desenrolar dos próximos capítulos.


13 de dezembro de 2014

MATÉRIA TRAZ TRABALHO ARTÍSTICO EM DISCOS DE VINIL

Por Lucas Moura, do ótimo site Geekness:

PINTURA EM VINIL, POR DANIEL EDLEN

Para muitos o vinil pode ser algo do passado, que não tem mais uso no mundo digital em que vivemos. Não para Daniel Edlen, que usa pintura em vinil como fonte de trabalho e recria o rosto de artistas famosos.



Artistas famosos recriados com pintura em vinil

Com uma tinta acrílico branca, Edlen dá leve pinceladas no vinil que junto com o preto do disco cria a impressão de sombra. Alguns dos artistas criados incluem John Lennon, Lou Reed, Madonna, Michael Jackson e outros.

Cada um dos vinis custam de US$ 195 a U$380. Você pode conferir mais do trabalho de Daniel Edlen em seu site oficial.

Sobre Daniel Edlen

Nascido na Califórnia em 1975, Daniel Edlen começou os seus trabalhos com pintura em vinil na década de 90 enquanto estudava no Brentwood Art Center em Los Angeles. Foi somente em 2006 que isso se tornou a sua profissão. Alguns de seus trabalhos já foram expostos em locais como o Hard Rock Hotel e na VH1.










3 de julho de 2014

O 'TESOURO' OCULTO DE BOB DYLAN SAI À LUZ 45 ANOS DEPOIS

Bacana. Matéria publicada na edição nacional do El País. Texto de Irene Crespo.


O ‘tesouro’ oculto de Bob Dylan sai à luz 45 anos depois

Surgem 149 mini-LPs de gravações do cantor norte-americano num mezanino de Nova York

No fundo de um mezanino, no dormitório de um imóvel no térreo na rua Houston, 124-oeste, em Nova York. Lá, num canto, o último proprietário do edifício achou, depois da morte da sua irmã, a dona original, duas caixas de cartolina nas quais se lia: old records (discos velhos). Depois de abrir, se deparou com uma enorme coleção de discos, alguns com o nome de Bob Dylan nos envelopes, o endereço do seu selo discográfico, a Columbia Records, e o título da canção. Não sabia o que eram, só que deveriam ser importantes, porque recordava que sua irmã havia alugado aquele espaço para o cantor no final dos anos sessenta.

Eram 149 discos de acetato, mini-LPs de vinil. Ensaios e testes que Dylan fez entre o final dos anos sessenta e o começo dos setenta para seus álbuns Nashville Skyline (1969), Self Portrait (1970) e New Morning (1970) e que nunca haviam saído dessas caixas. Até agora. “É definitivamente um dos achados mais importantes da minha carreira”, diz de Los Angeles, por telefone, Jeff Gold, ex-vice-presidente da Warner Bros. Records, conhecido colecionador musical fundador da Recordmecca e especialista na obra de Bob Dylan.

Foi para ele que o dono do imóvel telefonou quando percebeu o valor do que tinha em mãos. “Ele levou muito tempo para descobrir o que eram”, conta Gold, negando-se a revelar o nome do dono. “Os vinis contêm ranhuras em um só lado, são mais pesados do que o normal e não têm capa. Não sabia se eram todos de Dylan. Só que seriam peças de coleção.”

Um dos 149 acetatos, anotado com a caligrafia de Bob Dylan.

Depois de algumas conversas telefônicas, Gold voou para Nova York para ver o material de perto. “Quando abri as caixas e dei uma olhada, enlouqueci. Efetivamente todos eram discos de Dylan, em excelentes condições, e muitos deles tinham notas escritas à mão nos envelopes.” Embora não tenha podido escutá-los nessa viagem (porque é necessário um equipamento especial para discos tão delicados), não pensou duas vezes e ofereceu ao descobridor o dobro do valor que o proprietário havia imaginado. Quanto? O comprador se recusa a dar uma cifra, mesmo que aproximada. “Para mim não é uma questão de dinheiro: isto é história. O importante é descobrir como Dylan trabalhava em seus discos naquela época.”

No começo dos anos sessenta, Bob Dylan chegou a Nova York atraído pelo revival folk que se vivia então no bairro do Greenwich Village. Tudo mudou completamente com a chegada de Dylan, o dono da voz mais rouca entre todos os que cantavam em bares e praças por lá. Cantava melhor do que ninguém e, depois de lançar seus primeiros álbuns, alugou um apartamento na rua MacDougal e um térreo, a duas quadras, na rua Houston, 124-oeste, que ele usava como estúdio de gravação. Lá ele compunha, gravava os vinis que agora pertencem a Jeff Gold e os mandava a seu produtor, Bob Johnston, que morava em Nashville. Johnston fazia a mixagem e os mandava de volta com anotações – as mesmas que agora podem ser lidas nos garranchos recém-encontrados. “Mandei [a Johnston] algumas fotos dos vinis para ver se eram seus, e me confirmou que era a sua letra. As outras eram de Dylan”, continua. “Era a forma de manter o músico controlado à distância. E demonstra o quanto custava a Dylan refinar suas canções.”

O imóvel da Rua Houston, 124-oeste, em Nova York,
escondia o tesouro das gravações de Dylan.

Como reconhecido especialista e colecionador do cantor e compositor de Minnesota, Jeff Gold mantém uma boa relação com a equipe dele. Após passar três meses, com ajuda de amigos, “digitalizando, catalogando e fotografando todos os vinis”, chamou-os para oferecer cópias de tudo o que possuía. “E me agradeceram muito por isso. É provável que a Columbia Records tenha as matrizes de todos estes temas em seus arquivos, mas possivelmente não de algumas mixagens específicas.”

A maioria dos discos contém versões inéditas de canções que depois sairiam em três álbuns consecutivos. “Em alguns casos são desconhecidas”, diz Gold. “Nunca antes havia escutado as versões que ele fez dos temas de Johnny Cash, Folsom Prison Blues e Ring of Fire; nem a versão gospel que fez deTomorrow Is a Long Time, gravada, mas nunca incluída no álbum New Morning.”

Esses discos são alguns dos que ficarão com Gold, que considera esse descobrimento como um dos dois principais marcos em sua carreira de colecionador e fã de Dylan. “O outro foi quando encontrei em 2010 uma fita do seu show na universidade Brandeis, em 1963. Eu a vendi ao escritório de Dylan e o lançaram como um álbum ao vivo. E, sim, fico com os melhores e os mais interessantes”, diz, emocionado. O resto ele já começou a colocar à venda em seu site, o Recordmecca, a um preço que vai de cerca de 5.500 a mais de 16.000 reais.


22 de janeiro de 2014

VOCALISTA DO THE WHO E EX-GUITARRISTA DO DR. FEELGOOD LANÇAM DISCO EM MARÇO

O lendário guitarrista WILKO JOHNSON anunciou hoje (22) através da rede mundial de computadores que dentro de dois meses estará disponível um novo disco com regravações de sua carreira. Mas o lançamento em questão não é uma coletânea qualquer. As faixas terão ROGER DALTREY nos vocais. Apesar do anúncio relâmpago, o projeto do ex-guitarrista do DR. FEELGOOD e do vocalista do THE WHO começou há quatro anos.

Em 2010, JOHNSON e DALTREY conversavam sobre música em um evento quando descobriram que ambos eram fãs de JOHNNY KIDD & THE PIRATES, ícone dos anos 1950 e 1960 que lançou a (infinitamente regravada) faixa "Shakin' All Over". A conversa levou ambos a idealizar um projeto musical que ficou de lado em virtude de seus compromissos. Após o encontro, o vocalista seguiu com sua banda e o guitarrista ficou em evidência pelo lançamento do documentário Oil City Confidential. 

WILKO voltou a ser notícia em 2013, mas por um triste motivo: ele anunciou a descoberta de um câncer terminal. ROGER ficou sabendo das declarações do guitarrista e o procurou. Então reuniram-se em novembro passado em um estúdio chamado Yellow Fish, em uma pequena cidade do Reino Unido. As faixas foram gravadas em apenas uma semana e contam com as participações do baterista DYLAN HOWE e do baixista NORMAN WATT-ROY (parceiros de WILKO em sua carreira solo) além do tecladista MICK TALBOT (da banda THE STYLE COUNCIL). A produção é de DAVE ERINGA.

O disco é intitulado Going Back Home e terá onze faixas, sendo dez escritas por JOHNSON (três do DR. FEELGOOD) e um cover de "Can You Please Crawl Out Your Window", de BOB DYLAN. O CD será distribuído pela lendária gravadora Chess Records que será resgatada exclusivamente para este lançamento. Os royalties de ROGER DALTREY no disco serão doados a uma instituição que cuida de jovens com câncer.

Confira abaixo as faixas que estarão no disco:

All Through the City
Sneaking Suspicion
Going Back Home
Everybody's Carrying A Gun
Keep It Out Of Sign
Keep On Loving You
Some Kind Of Hero
Turned 21
I Keep It to Myself
Ice On The Motorway
Can You Please Crawl Out Your Window

Além do lançamento previsto para 10 de março, os músicos anunciaram um show agendado para 25 de fevereiro no O2 Shepherds Bush Empire.