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10 de outubro de 2022

REVISTA TOP ROCK: UM BATE-PAPO COM QUEM FEZ PARTE DESSA HISTÓRIA (2)

Quem acompanha o blog já conferiu minhas postagens sobre a revista Top Rock, saudosa publicação nacional que marcou a vida de muitos roqueiros.

Um ano depois de postar um papo muito bacana com Mark Ament, tradutor e editor da revista (leia AQUI), trago a vocês mais uma conversa histórica. Desta vez, o papo foi com Luiz Seman, referência do mercado editorial/gráfico brasileiro que também foi editor da Top Rock.

Sem mais delongas, segue o papo exclusivo:

Tenho que começar esse papo falando sobre a saudosa Revista Top Rock, referência do público roqueiro nos anos 1990. Fazer uma revista de Rock no país do carnaval era algo, digamos, heroico?
Ah, o Brasil também é o país do Rock! Sempre tivemos fiéis roqueiros, e nos anos 90 houve um boom de bandas vindo fazer show aqui no Brasil. A Top Rock começou com o estouro do Guns (GUNS 'N ROSES). A gente (Editora Escala, depois Trama Editorial) tinha feito um pôster especial do Guns e vendeu absurdamente! Daí, percebemos que havia uma demanda pra mais publicações voltadas ao público roqueiro e, assim, criamos uma revista mensal. Deu supercerto!

Basicamente, como era distribuir 35.000 exemplares mensais em um país de extensão continental?
A editora se utilizava de serviço de distribuição de uma das duas grandes empresas que já distribuíam produtos de banca (revistas e jornais). Com o sucesso inicial de vendas, a revista foi se “espalhando” pelo país inteiro.

Como vocês conseguiam as imagens (fotos) utilizadas nas edições da revista?
Através das editorias de revistas internacionais (principalmente da Inglaterra), imagens fornecidas pelas gravadoras e comprando fotos de shows que rolavam no Brasil, a maioria compradas do jornal “O Estado de São Paulo” (o famoso “Estadão”), que tinha (ainda tem) um serviço de vendas de fotos com centenas de milhares de imagens de shows e de artistas. Nossa reportagem, que fazia cobertura de shows e entrevistas, também fazia fotos dos artistas quando esses vinham ao Brasil (ainda usando máquina fotográfica, hehe!!!).

Hoje, para conhecer pessoas interessadas num mesmo tema, os jovens podem utilizar as comunidades de redes sociais e coisas do tipo. Nos tempos da Top Rock, havia a seção de cartas. Podemos dizer que vocês faziam esse papel de comunidade roqueira?
Sim!  Era na seção de cartas dos leitores que tínhamos feedback sobre as matérias, ajudando a gente a fazer a escolha das bandas que seriam publicadas nas próximas edições. Além da seção de cartas normal, tínhamos a seção “Mural do Rock”, na qual o pessoal publicava que estava procurando novos membros pras bandas ou vendendo algum equipamento musical. E havia também a seção “Fã-naticos”, que o pessoal trocava correspondências entre fãs de determinadas bandas. Fazíamos também um concurso de desenhos; os leitores mandavam seus desenhos de bandas, etc., e a gente premiava os melhores com CDs, camisetas e edições especiais da revista. Vinham pra nós uns desenhos muito, muito bons!

Recentemente, conversei com o Mark Ament, que trabalhou contigo na Top Rock e compartilhou algumas histórias muito bacanas. Você ainda mantém contato com algum colega dos tempos da revista?
Infelizmente, não muito. Hoje moro em Curitiba, a maioria deles está em São Paulo. Às vezes converso com o Ruy Pereira, Editor Chefe da revista e dono da Editora, mas só pelo Whats.

Ocorreu alguma situação inusitada/bizarra/engraçada nos tempos da revista que você lembre ainda hoje?
Sim, hehe! Uma vez houve uma discussão sobre o fato de que eu, que nas últimas cinco edições da revista respondia as cartas dos leitores, querer colocar uns palavrões (nada muito “sujo”, era mais tipo “porr@, c*zão, m&rda, uma bost@”, coisas assim) nas respostas da seção de cartas e em algumas matérias, pra dar uma descontraída e falar uma linguagem mais próxima ao dia-a-dia do leitor. Todos na revista eram contra, daí eu falei: “Se o leitor não curtir, eu paro”. “Mas, como vc vai saber se eles curtiram?”, me questionaram. Eu disse: “Vamos ver se o volume de cartas dos leitores aumenta, e se tem um feedback positivo deles”. Não deu outra: aumentou bastante o número de cartas, os leitores também mandavam umas “perolazinhas” nas cartas (huahaha), e isso, indiretamente, contribuiu pra aumentar as vendas.

A Top Rock parou de circular por questões de mercado ou teve outros motivos?
Basicamente, houve uma separação societária na Editora, e o sócio remanescente que ficou tocando a Top Rock fez um redirecionamento de sua linha editorial, dentro do qual foram lançados outros tipos de publicação dirigida a outros nichos de mercado totalmente diferentes da linha editorial da Top Rock; assim, tornou-se necessário redirecionar os esforços e recursos internos para essas novas publicações.

Até os anos 1990, o acesso à internet era pra poucos. De lá pra cá, a web escancarou todos os conteúdos possíveis para o mundo todo. Você concorda que, em pouco tempo, fomos da falta de informação a um excesso de informação?
Eu acho que há um “excesso de autoria”. Deixa eu explicar. Um jornal, revista, etc., tem uma equipe de profissionais que recebem uma informação, e checam até onde essa informação é verdadeira. Depois de checar, escrevem a matéria, um revisor revisa o Português e a ortografia, daí se publica a notícia, a matéria, etc. Com a internet, hoje a pessoa ouve/lê uma informação e já sai publicando, sem checagem, sem pesquisa, sem saber se é real ou fake; vai publicando e pronto – é isso que eu chamo de “excesso de autoria”. Quanto à opinião, daí sim hoje as pessoas opinam mais e mais rapidamente, e isso é positivo. Mas olha só: a pessoa pode publicar: “A banda X é a melhor banda do mundo” – isso é uma opinião. Se publicar assim: “A banda X é UMA DAS melhores bandas do mundo” – isso é uma informação. Essa pequena diferença é fundamental pra separar opinião pessoal de informação pública.

Apesar de vivermos tempos digitais, as vendas de livros não param de crescer. Isso sem falar em fenômenos sazonais, como o álbum de figurinhas da Copa do Mundo. Atualmente, é possível o mercado editorial/gráfico explorar esse nicho de roqueiros e colecionadores de maneira rentável? Ou isso resume-se às biografias e afins lançados pelas editoras?
O livro impresso nunca vai acabar. Um livro impresso traz um tipo de informação (seja biografia, ficção, romance, etc.) que você vai ler com calma, com tempo. A influência dos meios digitais é relativa para o livro; quem não lê livro hoje é o mesmo tipo de pessoa que não lia livro antes da internet. 
Quanto ao álbum de figurinhas, hoje mesmo eu vi uma criança de uns 6 aninhos com um álbum na mão! E isso é legal, o álbum é uma coisa lúdica, é “quase um brinquedo”, e atrai adultos também por isso, é um resgate da infância. 
Quanto aos(as) roqueiros(as), mesma coisa: se a pessoa tem o hábito da leitura “no papel”, ele vai procurar livros impressos – mesmo que o(a) roqueiro(a) seja das chamadas geração Y (nascidos entre os anos 80 e 90) ou da geração Z (nascidos a partir de 1995 até 2010). Se já é um “ser digital” (só consome informação na internet), não vai nem chegar perto do livro/revista impressos. Eu acho bem possível, sim, que as editoras explorem esse nicho que você citou. Basta que os criadores do ramo editorial saibam criar e produzir produtos atrativos, inclusive com recursos pra levar o leitor do livro impresso pra internet, tipo, a pessoa lendo um livro sobre Rock, daí tem um QR Code que o leitor captura e assim é “levado” a ouvir e/ou assistir vídeos - no smartphone ou computador - de uma música relativa ao que lê no livro impresso.

No aspecto pessoal, por quais meios você ouve música nos dias de hoje: mídia física, mídia digital, streaming, rádio FM ou outro?
Eu trabalho com design gráfico e editoração eletrônica no computador, daí eu costumo abrir o Youtube e ficar ouvindo o áudio da música enquanto trabalho.

Você é ou já foi colecionador de LPs/CDs?
Não um colecionador, mas eu os tenho guardados; deve dar um total de uns 30 LPs e uns 70 CDs.

Aplicativos de música como Spotify e Tidal alegam disponibilizar milhões de faixas. Você acredita que os famosos algoritmos são suficientes para que os jovens descubram o bom e velho Rock OU rádios, feiras de discos e colunas especializadas ainda possuem um papel importante como consultorias musicais?
Olha só, eu tenho filhos gêmeos de 29 anos. Os dois começaram a ouvir música aos 10/12 anos nas rádios dos carros do GTA (Grand Theft Auto)[jogo eletrônico]! Daí, foram se interessando por música, descobrindo os clássicos do Rock, da música Pop. Ou seja, é muito dinâmica essa forma de se descobrir a música, o Rock. E quando a pessoa se interessa por um estilo musical, vai “fuçando” e se informando.

Descobri que você tem projetos musicais de Rock e Jazz. Fale um pouquinho sobre eles.
Eu canto profissionalmente desde 1986, em São Paulo; eu cantava em bandas de Hard Rock, Blues e Progressivo. Eu gravei um CD intitulado “Quantum II”, de Rock Progressivo tipo EMERSON, LAKE & PALMER. Daí mudei pra Curitiba em 1994, e aqui eu tenho bandas de flashback (Sweet Memories, Pop e Rock dos anos 60 e 70), de Blues (Banda Idioma Blues) e Jazz (chamada Jazzto). Se vc der uma busca no Youtube assim: “Luiz Seman Curitiba”, tem vários vídeos meus cantando com minhas bandas.

Luiz, gostaria de te agradecer por dedicar um tempo a responder questões deste modesto blogueiro. Pra fechar: se na data de hoje você pudesse sugerir cinco álbuns de Rock aos leitores, quais seriam?
Eu que agradeço a oportunidade! Muito legal esse teu blog, Denis, parabéns e sucesso sempre! Bom, daí eu vou indicar cinco “velharias” hehe, das raízes do Rock. Vou basear essa escolha nos guitarristas que eu acho os mais influentes do Rock.
O 1º é o single “Johnny B. Good” (1958), de CHUCK BERRY. Aqui é quando o Rock era um feto e daí nasceu rsrsrs. O CHUCKY BERRY pegou o Blues, tocou ele rápido e simplesmente criou todo o Rock’n’Roll; é o pai da criança. Faixa recomendada: “Johnny B. Good”.
O 2º é “Are You Experienced?” (1967), da banda JIMI HENDRIX EXPERIENCE. Quem gosta de Rock precisa ouvir JIMI HENDRIX. Não precisa gostar, mas TEM que ouvir rsrs. Faixa recomendada: “Manic Depression”.
O 3º é “Paranoid” (1970), do BLACK SABBATH. Considero TONI YOMMI o “inventor” do Heavy Metal e todas suas vertentes (Thrash, Speed, Black, Doom, Power, etc.). Faixa recomendada: “Paranoid”.
O 4º é “Burn” (1973), do DEEP PURPLE. É uma pancada, com o RITCHIE BLACKMORE em seu auge, e que influenciou inúmeros guitarristas de Rock. Faixa recomendada: “Burn”.
O 5º é “VAN HALEN” (1978), da banda Van Halen. O EDDIE VAN HALEN, pra mim, é o MOZART ligado numa tomada de 220V. Faixa recomendada: “Ain’t Talkin ‘bout Love”.

2 de novembro de 2021

REVISTA TOP ROCK: UM BATE-PAPO COM QUEM FEZ PARTE DESSA HISTÓRIA

Na década de 1950, época em que estávamos mais para sinal de fumaça do que de internet, ter informação era um privilégio. E uma das formas mais acessíveis de saber das coisas à época era por meio de publicações impressas como jornais e revistas.

As revistas especializadas foram importantíssimas naquele período. O Rock explodiu pelo mundo nos anos 1950 e, mesmo não repercutindo no Brasil com a mesma velocidade, já era abordado em nossas revistas culturais. 

Algumas publicações notabilizaram-se pelas duras críticas à “rebeldia” que o Rock trazia, sugerindo até mesmo o boicote ao “ritmo”. Mas com a consagração de inúmeros artistas e bandas junto ao grande público, esse ponto de vista de avós católicos teve vida curta. Já aquelas revistas que valorizaram o gênero musical encontraram um público cheio de energia e sedento de informação. Assim, no decorrer das décadas, uma legião de roqueiros brasileiros conheceu ou lapidou conhecimento por meio de publicações como as revistas Pop, Bizz, Rock Brigade e Top Rock.

Top Rock Nº 7, minha primeira revista de Rock
Sobre a Top Rock, ela surgiu em abril de 1992 e teve 27 edições publicadas (dados da internet), além de edições especiais. Sou suspeito pra falar dessa publicação, pois tenho um carinho especial por ela (foi minha primeira revista “comprada”) mas hoje tenho um ótimo motivo para isso: o bate-papo que tive com Mark Ament, tradutor e editor da Top Rock em boa parte da existência da publicação.

Sem mais delongas, segue a conversa:

A Top Rock foi seu primeiro trabalho como tradutor?
A Top Rock foi meu primeiro trabalho fixo como tradutor. Eu já tinha feito alguns freelas como tradutor, mas foi lá que dei início à minha carreira de tradutor e intérprete em tempo integral. As entrevistas que eu fazia foram a semente para o meu interesse em interpretação simultânea.

Você comentou que inicialmente traduzia as matérias no “papel e caneta”. Fazer uma revista de Rock no país do carnaval durante os anos 1990 era algo, digamos, heroico?
Na época era bem difícil, sim. Faltava muito material, principalmente imagens. Mas nós tínhamos acordos com várias revistas e reproduzíamos material traduzido e imagens delas na Top Rock. Na verdade, eu comecei traduzindo na caneta e papel porque era um digitador muito lento. Tinha alguma experiência em máquina de escrever, mas catava milho! Um dia meu irmão me comentou que tinha um programa que ensinava a digitar com todos os dedos. Eu conversei com o chefe na revista, e ele acabou aceitando providenciar um computador para mim. Aí, no meu tempo livre (depois do expediente e no horário do almoço), eu fazia o curso de digitação e usava o micro durante o expediente. Acabei aprendendo a digitar bem com o programa.

Editorial
Trazer uma revista pra casa, esmiuçar seu conteúdo e ainda botar um pôster na parede era algo sensacional para os jovens de outrora. Você concorda que a facilidade do acesso à informação nos dias de hoje, embora democrática, seja algo sem graça?
Acho que a curadoria que era providenciada pela editora (responsável pelo material divulgado) dava mais valor para a notícia e as informações. Hoje em dia, qualquer um pode publicar qualquer coisa, sem nenhuma responsabilidade pelo que é dito. Acho que isso resulta nos tais “fatos alternativos” que vemos hoje em dia. Acho que a “democracia” que você menciona estava presente na época das revistas em papel – se a revista não vendesse, ela saía do mercado. Os leitores tinham o direito de escolha. Hoje em dia, ficou até difícil diferenciar o que é notícia e o que é ficção.

Você também trabalhou como entrevistador na Top Rock. Como era o processo para se entrevistar astros do Rock numa época em que a tecnologia era mínima?
Era bem divertido! A editora tinha um aparelho que você ligava no telefone para gravar. Eu tinha que abrir a tomada do telefone, juntar os fios do dispositivo aos do telefone, aparafusar, montar a tomada novamente, ligar o telefone na tomada, e plugar o aparelho no gravador. Aí era só ligar e apertar o botãozinho vermelho do gravador quando a pessoa estivesse na linha. Mas a gente também fazia muita entrevista presencial, quando os músicos vinham para o Brasil. Depois da entrevista coletiva de imprensa, de vez em quando fazíamos uma entrevista com um dos músicos da banda.

Em geral, as entrevistas rendiam um bom conteúdo ou era algo como entrevistar nossos jogadores de futebol? (risos)
As entrevistas sempre geravam conteúdo para a revista. Lembro de uma entrevista com o GLENN DANZIG em que ele foi bastante monossilábico, mas mesmo assim rolou. Já em uma entrevista com o TONY MARTIN, à época no BLACK SABBATH, eu tive que pedir para ele parar um pouco para que eu pudesse virar a fita e continuar a gravação (ele já tinha falado meia hora e a entrevista seguia!).

O que mais te marcou nas entrevistas: a decepção com superegos ou a satisfação com a humildade?
Acho que nunca tive uma entrevista que me deixasse decepcionado com os músicos. Lembro de uma entrevista muito legal com o BLIND MELON (com todos os integrantes) em que comecei dizendo para eles que não conhecia muito da banda e gostaria de falar com eles sobre sua história como um todo. Foi um bate papo muito descontraído que durou quase uma hora. A CÁSSIA ELLER também foi muito legal. Entrevistamos ela na gravadora. Eu não sabia direito quem ela era e estava aguardando em uma salinha. Aí, entrou uma pessoa de calça jeans toda rasgada, camiseta, e carregando um violão. Ela me olhou, sorriu, colocou o violão em um canto e saiu. Achei que era uma roadie! Pouco depois ela voltou com uma representante da gravadora que disse, “Mark, esta é a CÁSSIA ELLER”. Ela não pareceu ficar ofendida com o acontecido e tivemos um bate-papo bem legal.

Quais figuras do Rock você lembra ter entrevistado?
Foram muitas! Entrevistei individualmente o MARKY RAMONE, e depois todos os RAMONES – em uma cerimônia de recebimento de disco de ouro -, o ROB HALFORD (que tinha cantado no JUDAS PRIEST, mas à época estava em uma outra banda, a FIGHT), GEOFF TATE do QUEENSRYCHE, DAVID BRYAN, tecladista do BON JOVI, ROB HIRST do MIDNIGHT OIL, GENE SIMMONS do KISS... Já se foram mais de 20 anos, então esqueci alguns!

Ocorreu alguma situação inusitada/bizarra/engraçada nos tempos da revista que você lembre ainda hoje?
A revista era um lugar muito divertido de se trabalhar! Uma das pessoas que trabalhava lá tinha o hábito de tirar a bermuda, colocar na cabeça e dizer que era um índio de cocar!!! Um dia, eu e um colega decidimos que passaríamos a chamar todas as pessoas da editora de nomes diferentes, e fizemos isso. O pessoal entrou na brincadeira e passamos a chamar uns aos outros de nomes diferentes! Eu virei Gumercindo – nome dado pelo dono da editora! Também, em um dia de certa calmaria, este mesmo colega e eu decidimos traduzir a música “Escravos de Jó” para cinco idiomas (inglês, francês, espanhol, italiano e alemão). Até hoje eu canto a música em alemão de vez em quando! Lembro também de uma vez que tivemos uma promoção que daria um prêmio para as primeiras mil cartas recebidas. Não recebemos nem 500 cartas, então tivemos que inventar uns 500 nomes de premiados!

A Top Rock parou de circular por questões de mercado ou teve outros motivos?
A revista parou de circular algum tempo depois de minha saída. O editor com quem trabalhei mais tempo decidiu sair para morar em outra cidade. Entrou outro cara, um jornalista, para ser editor da revista. Trabalhei com ele alguns meses, mas um dia consegui um emprego em uma escola de inglês, que me pagava muito melhor e dava três meses de férias por ano, então resolvi sair também. A revista parou pouco tempo depois.

Você ainda mantém contato com algum colega dos tempos da revista?
Ainda tenho contato com algumas das pessoas no LinkedIn e no Facebook.

No aspecto pessoal, por quais meios você ouve música nos dias de hoje: mídia física, mídia digital, streaming, rádio FM ou outro?
Ainda tenho um toca-discos e muitos discos de vinil. Uso de vez em quando. Também ainda uso CDs. Mas muito do que escuto está no streaming. Escuto muito Apple Music quando estou dirigindo.

Você é ou já foi colecionador de LPs/CDs?
Não sei se posso me chamar colecionador de LPs ou CDs. Tenho hoje uma centena de discos (a maioria de jazz e música clássica, herdados do meu pai). Mas um dos discos do meu pai, um duplo do ELVIS PRESLEY (Elvis’ 40 Greatest), me fez passar a comprar discos do ELVIS. Sempre que eu achava um disco que tivesse uma ou mais das músicas daquele disco, eu comprava. Depois de algum tempo, passei a comprar qualquer disco do ELVIS que eu achasse. Hoje tenho uns 20 vinis dele, além de uns 20 CDs! Também passei a comprar discos de muitos outros músicos, mas ELVIS foi quem me fez começar!

Aplicativos de música como Spotify e Tidal alegam disponibilizar milhões de faixas. Você acredita que os famosos algoritmos são suficientes para que os jovens descubram o bom e velho Rock OU rádios, feiras de discos e colunas especializadas ainda possuem um papel importante como consultorias musicais?
Não sei dizer sobre os jovens. Como o que eu escuto é principalmente o bom e velho rock’n’roll, sou direcionado a bandas mais antigas, mas mesmo assim, acabo descobrindo coisas muito legais de que tinha me esquecido. Recentemente passei a escutar muito BILLY JOEL, DAVID BOWIE, e também BEACH BOYS devido ao algoritmo ter me lembrado da existência deles.

Mark, agradeço por disponibilizar parte do seu precioso tempo para atender este modesto blogue. Pra fechar: se na data de hoje você pudesse sugerir cinco álbuns de Rock aos leitores, quais seriam? 
Acho que 5 discos que curto demais seriam:
Iron Maiden – Maiden Japan (Uma fita K7 que ganhei e que me fez gostar de Iron Maiden)
The Beatles - Rubber Soul
Falcão – Sucessão de Sucessos que se Sucedem Sucessivamente sem Cessar (Adoro “Coração de Frango”)
Focus – Hocus Pocus
The Doors – Morrison Hotel
The Jimi Hendrix Experience – Are You Experienced? (Adicionei um sexto caso não aceite Falcão!) 

5 de agosto de 2014

QUEM LEMBRA? REVISTA TOP ROCK

Hoje é fácil: você vai no Google, digita o nome de uma banda e acessa o Wikipedia ou outro site pra saber "tudo" sobre ela. Mas... e como você teria feito se quisesse saber "tudo" há mais de 20 anos? Pois é.

Naquele período, onde internet não existia (não na prática, pelo menos) e o termo Google soaria como um novo brinquedo da Estrela, você só saberia de algo através de outros meios. Publicações impressas ou capas e encartes de LP eram duas de poucas opções. Abaixo, a capa de uma das revistas que circularam nos anos 1990, a Top Rock.


Para curtir o bate-papo que tive com Mark Arment, tradutor e editor da saudosa Top Rock, clique AQUI.

No blog Trankeiras do Sickeira, tem uma postagem muito bacana com capas e links para edições da revista. Para acessar, clique AQUI.