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30 de julho de 2026

DO GRAVADOR AO STREAMING: A HISTÓRIA POR TRÁS DO PROGRAMA ROCK TONIGHT

Desde que nasci, o rádio sempre esteve presente em minha vida.

Embora sempre tivéssemos televisão em casa, o rádio era o eletrodoméstico que mais ficava ligado — só perdia para a geladeira. Era a trilha sonora da casa, todos os dias, o dia inteiro.

Tenho inúmeras lembranças relacionadas a ele: minha mãe ouvindo a programação local no rádio-relógio cinza da Semp Toshiba; meu pai acompanhando o Djalma Jorge Show no Gradiente S-95 da sala; meu vô ouvindo futebol em seu Motoradio portátil — com direito à capinha de couro com botão; minha vó “abençoando” um copo d’água em frente a outro Motoradio, enquanto acompanhava a mensagem do Papa João Paulo II antes do almoço...

Sempre fui apaixonado pelo formato. Costumava comparar o rádio portátil a uma lanterna: bastava colocar as pilhas e se divertir com algo “intangível”. Além disso, ouvir rádio nos faz projetar mentalmente tudo o que está sendo transmitido. Cada voz, cada ambiente, cada situação ganha uma imagem própria na cabeça de quem está ouvindo.

No caso da minha cultura musical, o rádio foi imprescindível. Em casa, não tínhamos muitos discos de vinil — e os CDs ainda nem existiam. Então, o jeito era colocar o tape deck para trabalhar e gravar as melhores músicas da programação de alguma emissora.

Ainda criança, eu já improvisava para registrar minhas músicas preferidas. Se não conseguisse gravar no tape deck da sala, ligava o som no tuner, pegava o gravador portátil National Panasonic da minha mãe, colocava-o diante dos alto-falantes e torcia para ninguém aparecer falando no meio da gravação (risos).

Se, por um lado, esse método não era o ideal para registrar as músicas com fidelidade, por outro, permitia muitas brincadeiras.

Junto com minha irmã do meio, criei uma rádio fictícia chamada Spectrus FM. O nome foi inspirado em algo que sempre me encantou visualmente nos aparelhos de som antigos: o analisador de espectro.

Acionávamos o gravador portátil e, manualmente, baixávamos o volume das músicas no aparelho 3 em 1 para fazer as locuções. Também ficávamos “caçando” situações nas emissoras reais que pudessem ser aproveitadas em nossas gravações.

Invariavelmente, apertávamos o botão de gravar quando alguém ligava para uma rádio pedindo uma música. O desafio, então, era acertar o timing da conversa e responder como se estivéssemos realmente falando com aquela pessoa. A diversão era garantida.

Também simulávamos sorteios de cartas dos ouvintes, criando efeitos sonoros com papel velho. E até inventamos um funcionário imaginário de estúdio chamado Marcelinho Capixaba (risos).

Foi nessa época que comecei a vislumbrar o quanto seria maravilhoso ter um programa de rádio. Não como um objetivo profissional, mas como algo que eu faria por puro prazer. E essa ideia nunca mais saiu da minha cabeça.

No início dos anos 2010, as rádios comunitárias estavam bombando em inúmeras cidades. Curitiba era uma delas. Havia quase uma rádio comunitária em cada bairro. Embora várias tenham sido utilizadas politicamente, muitas conseguiram cumprir muito bem, durante anos, o papel a que se propunham: dar voz às comunidades locais.

A emissora comunitária que eu mais ouvia era a Rádio Comunitária do Boqueirão (RCB FM). Aos sábados, meu amigo Benedito César, da Discos Raros, apresentava o programa Zum Make To Rock. A transmissão era ao vivo, tanto no dial quanto no site da rádio, e os ouvintes podiam interagir por meio de um chat. Smartphones e WhatsApp ainda não faziam parte do nosso cotidiano.

Nessa época, mudei-me para Araucária em razão do trabalho. Lá, havia uma rádio comunitária chamada Gralha Azul. Inspirado pela RCB e indignado com o fato de não existir um único programa de Rock na cidade, resolvi conversar com o diretor da emissora — cujo nome, infelizmente, já não lembro.

Ele foi bastante receptivo e me pediu que levasse um projeto.

E qual era o nome do projeto que criei?

Rock Tonight!

Paralelamente, este blog estava bombando. Em razão da repercussão de uma coletânea de raridades que criei por aqui — alguém se lembra? —, recebi convites para trabalhar em duas rádios da web.

Infelizmente, não pude aceitar.

Meu ritmo de trabalho não me permitia assumir nada que fugisse da rotina. Eu era o rei da hora extra. Agora, imaginem conciliar isso com uma filha recém-nascida em casa...

Então, minha vida virou de ponta-cabeça.

Na sequência, passei pelos anos mais difíceis dela. Voltei para Curitiba. Muita coisa mudou.

Recentemente, envolvi-me na criação de uma rádio web: a Estação 512.

E essa foi a oportunidade perfeita para desengavetar o projeto Rock Tonight.

Nos últimos sábados, venho realizando testes com o formato definitivo do programa, que terá duas horas de duração. Até aqui, o resultado tem sido bastante satisfatório.

Nesta semana, ampliamos a divulgação da rádio.

Em tempos de streaming, criar uma rádio web talvez não pareça uma ideia brilhante. Mas oferecer uma programação cuidadosamente selecionada é, acima de tudo, um ato de respeito a quem procura fugir da mesmice — dos algoritmos repetitivos, das playlists previsíveis e da sensação de que todas as músicas são sempre as mesmas.

A proposta da Estação 512 é simples: oferecer uma programação com identidade, variedade e curadoria. Uma rádio feita por quem ama música e para quem ainda acredita que ouvir uma emissora pode ser uma experiência.

Sejam bem-vindos(as) à Estação 512 e ao Programa Rock Tonight.

Se o apaixonante dial não pôde ser a nossa casa, que seja o streaming — mas um streaming com curadoria, personalidade e paixão pela música.

Na era do gosto duvidoso, somos a resistência! 🤘📻

Acesse: https://www.estacao512.com.br


10 de agosto de 2025

A VOLTA DA RÁDIO COMUNITÁRIA DO BOQUEIRÃO

Uma notícia recente que me deixou feliz foi o retorno da Rádio Cultural do Boqueirão (RCBFM) aqui em Curitiba. 

Atualizei a logo original. Legal, né?

Embora muitas pessoas não consumam programação de rádio nos dias de hoje, principalmente pelo dial, ela ainda tem um público gigantesco, seja no trânsito, no trabalho ou no lar. Ela permite que você tenha música, informação e até religião em tempo real, sem necessidade do nosso "segundo oxigênio", o sinal de internet.

No início dos anos 2010, smartphones e WhatsApp engatinhavam por aqui. A internet predominava nos PCs e os e-mail e ligações telefônicas eram muito mais relevantes. Ouvir rádio e conversar por meio de chats eram ações muito bem ranqueadas dentre as opções de entretenimento.

Naquele período, as rádios comunitárias eram uma constante na capital. Regiões como as do Bairro Novo, CIC e Boqueirão tinham uma programação focada no público local. Muito mais do que replicar música pseudosertaneja, elas traziam subgêneros condizentes com o perfil de seus ouvintes. Lembro que uma delas tinha programa de Rap ou Hip-Hop, estilos com milhares de consumidores e algo raro em nossa cidade.

No Boqueirão, as noites de sábado tinham horários dedicados ao bom e velho Rock e também ao Flashback. Meu amigo Benedito César, da loja Discos Raros, apresentava os programas Zum Make To Rock e Dance Machine. Era diversão garantida!

As pessoas reuniam-se nos chats dos sites dessas rádios para bater papo enquanto ouviam boa música (algo parecido com o que ocorre nas lives de Facebook e YouTube atualmente).

De lá pra cá, as coisas mudaram bastante. Com o avanço das tecnologia e das opções entretenimento, as rádios comunitárias foram simplesmente desaparecendo. Isso sem falar nos custos para manutenção dessas estações.

Sob o comando do diretor Luis Alberto, a RCBFM ressurge no dial e on-line, com aplicativo próprio. Ela está em 87,9 MHz, atual faixa padrão para as rádios comunitárias (antigamente elas ficavam em 98,3 MHz). Luís Alberto prometeu que teremos programação Rock. Qualquer novidade, avisarei por aqui.

Para ouvir a RCBFM ao vivo, CLIQUE AQUI.

Para visitar o site da RCBFM (ainda não finalizado), CLIQUE AQUI.

3 de abril de 2022

RADIO FM: NOVAS MUDANÇAS NO DIAL EM CURITIBA

No último dia 29, a Capital FM, rádio que operava na frequência 98,3 (antiga frequência das rádios comunitárias) foi descontinuada. No Facebook da rádio, foi postado o seguinte texto: "E é com o sentimento de MISSÃO CUMPRIDA que eu, a Capital FM, digo que não estou mais no dial curitibano, mas espero que tenha transformado os seus dias e transmitido os sentimentos positivos que levo em meu coração. Sintonize as boas vibrações na sua vida e obrigado por todo esse tempo ao meu lado".

Agradecimento ao público foi colocado no site, que continua ativo

Concessionada em Piraquara, ela vinha operando desde agosto de 2020 para o público adulto, concorrendo com a Ouro Verde FM (106.5). Foi substituída pela Mix FM, de São Paulo, que já operou por aqui. O perfil da nova rádio é outro, bem moderninho.

Movimentos recentes já haviam alterado o panorama da FM curitibana. Em dezembro, a adulta contemporânea Alpha FM estreou na frequência 90.1, que estava repetindo provisoriamente a Bandnews FM (96,3). Um mês antes, como postado aqui no blogue, a (Transamérica) Light FM havia sido descontinuada após 22 anos.

28 de janeiro de 2022

PROGRAMA THE CLASSIC ROCK AGORA É NO YOUTUBE

Findou a parceria entre a rádio comunitária Estação Pinheirinho e o DJ Luisão Rock para a exibição do programa The Classic Rock. O anúncio foi feito pelo DJ na abertura do programa desta sexta (28), o último a ser transmitido pelo site da rádio e também na frequência 87,9 FM.


Segundo Luisão, foram dois anos de programa no dial comunitário com transmissão simultânea pelo YouTube. A partir de agora, o DJ seguirá com as transmissões pelo canal diretamente de seu estúdio.

Parabenizo a rádio e o Luisão pela nobre iniciativa de levar o bom e velho Rock à comunidade da região sul de Curitiba (e à internet) por todo esse tempo. 

4 de novembro de 2021

RÁDIO FM: MUDANÇAS NO DIAL EM CURITIBA

Na virada do dia 31 de outubro para o dia 01 de novembro tivemos duas mudanças significativas no dial de Curitiba: o fim da Light FM e a mudança de frequência da CBN.

Após mais de 22 anos de atividades voltadas ao público adulto-contemporâneo na frequência 95,1, a Light FM (antiga Transamérica Light) foi descontinuada. Ela foi substituída pela rádio de notícias CBN, que estava há 26 anos ocupando a frequência 90,1 da FM de Curitiba. A frequência 90,1, por sua vez, repetirá a programação da concorrente Bandnews FM (96,3).

A última música tocada na frequência 95,1 pela Light FM foi "Corações Psicodélicos" do LOBÃO. Após poucos segundos de outra faixa, o silêncio (o fim) e a retransmissão da CBN. Já na frequência 90,1 só viraram o botão kkkk

Confira abaixo os vídeos com os exatos momentos das transições das duas frequências:



Veja como era e como ficou o panorama das rádios FM de Curitiba (clique para ampliar):


28 de outubro de 2021

ESTAÇAO PINHEIRINHO FM: A SOBREVIVENTE DA RADIODIFUSÃO COMUNITÁRIA DE CURITIBA

Recentemente, pesquisando na web sobre a situação da radiodifusão comunitária em Curitiba, encontrei o site da Estação Pinheirinho FM.


Seguindo os moldes de outras saudosas rádios comunitárias, a Estação Pinheirinho FM traz informações locais, música e variedades por meio de um site simples mas bem amigável (acesse AQUI). Aos leitores, seguidores e amantes do velho rádio, sugiro que deem uma passada pelo site ou, se estiverem na região do Pinheirinho, sintonizem 87,9 (lá no comecinho do dial). Prestigiem!

TEM ROCK? TEM SIM SENHOR!
Dentre os programas executados na rádio está o The Classic Rock, do gente fina DJ Luisão Rock. Muita sonzeira naquele padrão Project de qualidade que a gente gosta. Toda sexta-feira, das 20h às 22h, ao vivo e com transmissão de vídeo pelo site. Eu acompanhei o programa da semana passada na integra e recomendo a todos os roqueiros do blogue. Sintonizem!


26 de abril de 2021

ENQUETE: COMO VOCÊ OUVE MÚSICA HOJE?

Pessoal, peço que participem da nova enquete do Blog: por quais meios você REALMENTE ouve música nos dias de hoje?


Um voto por pessoa. Vale mais de uma alternativa.

4 de julho de 2016

PROGRAMA NO TEMPO DOS DUPLEX: O ROCK DAS SAUDOSAS NOITES CURITIBANAS

Se você é roqueiro, tem mais de trinta anos e viveu o tempo em que o Rock rolava solto nas noites curitibanas aqui vai um convite: que tal resgatar e celebrar esse clima dos anos 1970 e 1980 quando equipes de som executavam clássicos do Rock através de aparelhagem pesada e verdadeiros paredões sonoros em sociedades e clubes da capital?

A trilha sonora em questão, que traz de volta essa saudosa atmosfera, pode ser ouvida e revivida toda sexta-feira às 22 horas. Basta estar conectado a internet e acessar a rádio parceira do Blog, RST Radio Rock

É o programa NO TEMPO DOS DUPLEX.


Com seleção musical e apresentação do meu amigo Rubens Silvio, o programa rola AO VIVO com a participação de muitos personagens e entusiastas no chat (bate-papo) da rádio. Não raramente o programa traz convidados que, de alguma forma, colaboraram para construir e disseminar essa história.

Não esqueça: o programa NO TEMPO DOS DUPLEX é toda sexta-feira às 22 horas. Para acessar o site da RST Radio Rock clique AQUI. Para baixar o aplicativo da rádio no Google Play clique AQUI.

E boa diversão!
 

Como era a "balada" roqueira curitibana nos anos 1970 e 1980?

AS NOITES
Naquela época, as pessoas iam a locais como clubes e sociedades para curtir e dançar o Rock de maneira intensa. A trilha sonora ficava por conta de DJs e operadores que formavam equipes de som, verdadeiras organizações de sonorização. Uma das marcas registradas desse período eram os Duplex, famosos "paredões" formados por caixas de som e usados pelas equipes para sonorizações e disputas ensurdecedoras. Não eram raros os Triplex, sonorizações com três equipes.

AS EQUIPES
Algumas das equipes conhecidas e lembradas em Curitiba são S.O.S, Octopus, Pop Light Sound, Raick'sBig Power, Thundermug, Party Box, Star Life, Papanacius 3, Eccus Tape, Chimoke, Moustache, Shok Som Five, Phocus, Black Box, Impactus, Poluysom, Wonder Som Pop, Exportasom, Kilowatsom e Sparks.

OS LOCAIS
Alguns dos locais conhecidos e lembrados em Curitiba são Sociedade Protetora dos Operários (Operário), Sociedade Recreativa 21 de Abril, Sociedade Abranches, Sociedade Primavera, Barriqueiros do Ahú, Sociedade Recreativa do Boqueirão, Sociedade Internacional da Agua Verde, Sociedade Rui Barbosa, Vasco da Gama, Trieste, Coritiba Foot-Ball Club, Ícaro Atlético Clube, Parque Aquático e Vila Olímpica de Curitiba (PAVOC).

OS CLÁSSICOS
Algumas das músicas mais tocadas nesse período... bom, pra conferir uma relação repleta que faixas que enlouqueceram uma geração de roqueiros basta clicar AQUI.


10 de março de 2014

VELHOS PROGRAMAS DE RÁDIO: O PESO DO ROCK

Retomando as postagens sobre antigos programas de Rock no rádio curitibano, disponibilizo hoje uma verdadeira pérola. Entre o fim dos anos 1990 e começo dos anos 2000 a Rádio Paraná Educativa FM (97.1 MHz) transmitiu o ótimo O Peso do Rock

Uma das qualidades do programa era a oportunidade de se ouvir vasto material de uma mesma banda em seus especiais, uma verdadeira prestação de serviço ao povo roqueiro. O apresentador Benedito Cesar incorporava o "Pastor Billy Canhão", que comandava o programa e interagia com as "Ovelhinhas Bizarras". Impagável.


O especial em questão está dividido em cinco capítulos (predominantemente musicais, é verdade). Abaixo, os links do programa O Peso do Rock especial da banda KISS na íntegra. Divirtam-se.

11 de dezembro de 2013

VELHOS PROGRAMAS DE RÁDIO: ARQUIVO DO ROCK

Quem tem mais de 30 anos e nunca curtiu Rock em um programa de rádio? Nos anos 1980 o Rock and Roll dançante era comum nas principais estações do dial. Mas somente na década seguinte é que foram criadas as estações destinadas aos roqueiros. Surgiram na sequência a Estação Primeira e a Alternativa, além da 96 Rock 91 Rock (agora na web) e a Mundo Livre FM.

Destas, algumas exibiram programas que marcaram época e ficaram na memória de muitos. Lembro-me de ouvir o Arquivo do Rock. Falando nele, resgatei dois blocos de um especial do KISS tocados pela Rádio Alternativa 106,5 FM entre 1993 e 1994 (há 20 anos...). Locução maravilhosa de Paulo Vaz.

Clique no play e sinta as teias saindo de sua cabeça.



Vou garimpar mais e ver se consigo material para fazer uma terceira postagem (a segunda está garantida... aguardem!).


21 de fevereiro de 2013

VOCÊ OUVE RÁDIO?

Recentemente conversei com algumas pessoas sobre o assunto e resolvi fazer um post.

Nas últimas décadas, constantes evoluções tecnológicas ocorreram. Tais mudanças afetaram diretamente a rotina das pessoas. Hoje, vivemos no século em que as pessoas baixam músicas da internet gratuitamente (e ilegalmente?) e as transferem para aparelhos e acessórios eletrônicos, os quais armazenam centenas ou milhares de arquivos (música hoje é tratada como arquivo).

Mas nem sempre foi tão fácil. Na década de 1980, por exemplo, as pessoas usavam aparelhos de som integrados e gravavam suas músicas prediletas em fitas cassete que comportavam, no máximo, noventa minutos de áudio. Assim, era possível "transportar" músicas no toca-fitas do carro ou em um Walkman. Isso era o limite para a portabilidade de mídia musical.


Porém, em aparelhos estrambólicos ou acessórios discretos, há vinte anos ou nos dias de hoje, uma opção para ouvir músicas continua igual: o rádio. Ele é a alternativa mais simples, barata e democrática para se ouvir notícias, jogos de futebol e, principalmente, músicas.

Obviamente as estações de rádios também passaram por uma revolução tecnológica: DJ's perderam emprego para computadores, discos de vinil e cartuchos foram substituídos por arquivos de áudio digitais e o dial ganhou a "concorrência" da web. Ainda assim, elas continuam ao alcance de todos.

Mas com tamanha facilidade em se adquirir, converter e transportar (incontáveis) arquivos de música nos dias de hoje eu pergunto: você ouve rádio?

Para saber a opinião dos caríssimos seguidores e leitores do Blog resolvi publicar uma enquete, a qual encontra-se na barra lateral (P.S: resultado da enquete nos comentários).


***


BATE-PAPO COM MESTRE LUIZINHO

Pra finalizar o post segue o bate-papo que tive com Luizinho Farias que comanda o programa Rock and Roll All Night transmitido pela Rádio Mundo Livre (93,9FM) às sextas-feiras. Confiram:

Como você entrou no mundo musical? 
Sou do tempo das festinhas de garagem, na faixa dos 11 aos 14 anos. Eu e dois amigos montávamos nossas caixas e todo fim de semana tinha uma para tocar.

Profissionalmente, qual foi o seu primeiro contato com uma emissora de rádio?
Quando a extinta Metrô FM, hoje 98 FM, entrou no ar. Fui conhecer os estúdios a convite de um amigo e quando cheguei lá a rádio estava fora do ar. Fui convidado pelo Palitto, Sr Lourival Pedrazzani, então diretor da Rádio, para trabalhar das 12 às 18.

Qual o perfil do ouvinte do Rock and Roll All Night
Segundo nosso departamento de marketing, a maioria é de pessoas com menos de 40, quase meio a meio (F/M), classe B e C. O retorno de emails e postagens confirma isso.


O programa rola nas noites de sexta. Você já chegou a pensar em outro dia da semana para fazê-lo? 
Esse programa foi uma ideia do nosso Diretor Artístico, Helinho Pimentel, e a princípio era nas quartas. Acho que na sexta é o dia ideal, já que a programação é sempre atendendo pedidos e mais “dançante” que “radiofônica”. Serve prá um esquenta, como disse o Gilson, um ouvinte assíduo.

Você acredita que, de médio a longo prazo, as rádios migrarão definitivamente para a web ou o dial é eterno? 
Acho impossível. O Brasil é um país continental e, apesar dos esforços, ainda carente de tecnologia para as pessoas de baixa renda. O rádio ainda é um companheiro inseparável.

Os roqueiros com mais de trinta anos foram influenciados por bandas que curtiram na adolescencia e outras de época distintas. Você acredita que os adolescentes de hoje vão se influenciar pelo Rock tanto quanto as gerações anteriores? 
Eu acho que não. Hoje a informação é muito rápida, mas é incrível como o Rock atinge os adolescentes. No show do Iron Maiden aqui em Curitiba, a grande maioria era de adolescentes que nasceram depois que a banda foi formada. Assim é com outros que têm contato através dos pais, discos, programas de rádio. O Rock já foi moda, depois vieram os estilos variados, e hoje o clássico continua intocável. Se você for no show do Nazareth na Sociedade Abranches vai sentir o que é isso. A grande maioria cantando músicas de 30, 40 anos atrás.

Curitiba deixou de receber recentemente alguns shows e, em alguns casos, teve eventos musicais cancelados. Você acha que o motivo está na promoção desses eventos, na falta de locais adequados ou no desinteresse do público? 
Ás vezes leio que o público curitibano paga 400 pilas por um show internacional e não paga 20 para uma apresentação local. Os promotores querem dinheiro fácil, portanto a gente só recebe o que vai dar lucro. Falta promoção em alguns eventos. No RRAN tenho a liberdade de divulgar shows e eventos, mesmo eu fazendo e divulgando isso, nunca recebi nenhuma comunicação que não fosse anunciada na radio.  

Na sua opinião, da década de noventa pra cá foram lançados sons tão bons quanto aqueles de outros tempos? 
Depende do que é “bom”. A qualidade sonora evoluiu muito, mas, como disse Peter Frampton, “a maioria se rendeu ao lucro fácil de sucessos instantâneos”. Tanto que não existem boas bandas “adultas” nascidas nessa década. Trixter, Crazy Lyxx, American Dog são alguns exemplos de como fazer rock em tempos universitários.

Você foi operador de som da SPARKS (lendária equipe de som). Você acredita o Rock ainda pode rolar em clubes/casas noturnas exatamente como antigamente ou isso estaria mais para um "baile da saudade"? 
Uma vez, depois de uma entrevista e uma seleção de “disco” (sim, eu sou dessa época) em um programa, recebi convite para tocar um set em três casas em dias diferentes. O pai (na faixa dos 45) de um dos produtores do programa disse para ele: “se tocasse essas músicas, eu e meus amigos iríamos tranquilamente”. Infelizmente não rolou, mas é a prova de que existe “inteligência depois dos 40”. Falta iniciativa, veja o exemplo da Sociedade Abranches.  

Nas rádios européias costumeiramente ocorrem transmissões de shows de Rock ao vivo. No Brasil, dá pra contar nos dedos as vezes em que isso aconteceu. Trata-se de uma questão cultural?
Não. É questão financeira mesmo. Sem patrocínio não rola nada.

Para finalizar, você poderia recomendar cinco discos de acordo com o seu gosto musical? 
É difícil recomendar só cinco. Pela ordem de importância na minha vida seriam: 
Machine Head do Purple, Highway to Hell do ACDC (prefiro o Bon), British Steel do Judas (há controvérias), One Vice at a Time do Krokus e pra sintetizar o "ao vivo" de 2007 do Led, Celebration Day

Muito obrigado por atender o Blog, Luisinho.
Agradeço pelo papo, um abraço e parabéns pelo Blog, sempre atual.